quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Quando o Tempo Se Despede — Feliz 2026, Obrigada 2025






O tempo voa veloz, tal qual vento do furacão.

Neste funil onde poucos se encontram,
vem a velhice em pleno pulmão,
que nos faz perceber que,
à medida que crescemos,
o tempo se esvai sem direção.

Mas há tanto o que agradecer
em mais um ano bem vivido,
que celebrar nos é pedido,
neste ano que finda, renascer.

Mande flores para seu amor,
aos familiares, paz e oração.
Nas confraternizações, abraços;
aos amigos, um olhar acolhedor.

Só não esqueça de perdoar
a todos e a si mesmo,
pelos erros percebidos
e, com eles, saber saborear
as lições aprendidas.

Olhe para si com amor,
olhe o próximo com emoção.
Esqueça as palavras que só machucam.
Siga adiante com sua bagagem
e viva em união.

2026 será aquilo que você desejar.
Eu desejo que você seja
o seu desejo, e eu, o meu.

Feliz 2026, obrigada, 2025.
Que Deus permita que o tempo
valha a pena e nos faça ver
quem somos: a sua imagem plena
de amor e compaixão.

Autora: Darlene Maciel

quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

Vestida Por Tuas Mãos



Lá estava ele a lhe envolver em cobre,
tecido que veste a alma com fervor.
Onde cada laço dado dizia,
baixinho, em sussurro: — Como te amo!

Mãos leves são plumas a deslizar,
do topo até abaixo, teus olhos;
apreciando o cheiro das rosas,
exaladas pelo teu olfato, 
feito sol a lançar teus desejos.

Agora, cada detalhe faz mostrar 
os cuidados que mãos, em oração,
colocam nas belas peças a enfeitar,
visão de quem cria beleza e paixão.

Braços, bustos e orelhas são envoltos
com pequenas ideias abstratas, atadas,
numa combinação de design e paixão,
completa raridade que brilha radiante.

Nos pés, o dourado, cheio de lacinhos,
finalizava o andar de quem diz, sem falar:
— Como gosto de te amar.
Ver-te arrumada é como ver o jardim a florar.

Agora, dama que ilumina minha vida,
desfila sobre este tapete vermelho,
mostra ao mundo que és
a mulher que me faz renascer.

Autora: Darlene Maciel

Vestes de Natal



O Natal tem suas vestes:
São guirlandas apaixonadas,
penduradas em portas de esperança.
Árvores de Natal decoradas de desejos,
o velhinho risonho na velocidade da luz,
leva o sonho de cada um
no raio da felicidade.

Feito riscos no chão da alma,
vêm os sentimentos
que acendem a memória,
com suspiros e lamentos.

E, com o lápis na mão,
se rabisca que:
– foi o ano que passou
vestido de ilusão;
– foi um ano de inspiração,
cheio de flores e verdes
com perdão.

Para mim, foi renovação,
onde o ontem ficou no passado
e por lá se esqueceu.
Foi o recomeço sonhado
de um novo amanhecer.

Onde o presente
é meu maior presente:
– o que eu não conheci;
– o amor que veio consciente;
– das rupturas que insistiam
em cravar as unhas na alma
e, por fim, rompi.

Você, que veio feito risco no céu,
num raio de felicidade,
me mostrou que todos os dias
somos e seremos
como o Sol que alimenta
o solo de amor.

Então, que neste Natal
o Bom Velhinho,
na velocidade da luz,
leve na sua sacola de carinho
os sonhos desejados...
num raio de amor encantado.

Feliz Natal!

Autora: Darlene Maciel


domingo, 21 de dezembro de 2025

Sussurros Que Curam





Ah, se minha voz permitisse cantar
Faria uma linda canção com letras
coloridas como arco-íris
para tua vida encantar.

Ah, se minha voz aveludada
fosse ouvida por multidões!
Deixaria uma só mensagem:
que o amor vem em orações.

Ah, se minha voz tão aguçada
conseguisse o mundo alçar!
Para cantar a paz desejada
ao guerreiro que reza sem amor.

Ah, se minha voz, como oração,
pudesse gritar seu amor santo,
celestial, de quem ensinou o amor,
sem descrença alguma, Senhor.

Ah, se minha voz fosse capaz
de trazer sossego à noite fria
aos que deitam em camas de pedras,
vorazes na dor da solidão.

Ah, se minha voz, faminta de ti,
visse o valor de evocar
o atroz que cresce e atormenta
tua alma que clama amar.

Ah, se minha voz tão suave
sussurrasse em teu ouvido
todo amor que sinto por ti,
já não mais cruel, nem solidão.

Espelho de Mulher Nordestina



Sim, sou de beleza típica do povo
cearense, com força no olhar,
sem limites a alcançar.
De humor, onde da desgraça
sabe tirar risos sem limites.

Assim como as sertanejas,
cuja beleza está na caricatura do rosto
marcado pelo sol que arde feito brasa,
que usam chapéu de palha nas labutas da roça.

Com braços magros e fortes,
pernas e pés calejados
pelo terreno árido do sertão.
Onde a foice e o arado são adornos
que brincam de furar o chão.

Têm olhos miúdos, tristes e esperançosos
por dias onde a chuva não vem.
Mas, se der “bom dia”, os olhos
saltam de emoção.

Mulheres de sabedoria popular
predizem o futuro só olhando a terra,
onde a escassez é abundante,
tal qual a fome que se vê nos olhos
de filhos magros e barriga inchada.

São verdadeiras fortalezas dos seus,
nada tira a fé em Deus e por tempos melhores.
Têm o sorriso genuíno de quem
não perde a esperança, quase infantil.

E, neste espelho, me vejo também.
Aqui me identifico, onde a família
é altar de oração, motivo de muita
emoção.

Se sou fortaleza, não sei,
me perco nas vezes que
caio ao chão de joelhos
a pedir luz nas decisões
e perdão pelos erros.

E, como boa nordestina, carrego no sorriso
a esperança de água do sertão!

Autora: Darlene Maciel


domingo, 14 de dezembro de 2025

Corrida de Emoções





Quem poderia imaginar,
como um atleta amador,
no ritmo das batidas de tambor,
correr com seu ídolo!
Num Vumbora pro Mar,
correr na Beira-Mar.

Que fez da goma de mascar
nome de sua banda ,
nem a banana escapou,
que canta músicas baianas
com rimas de "Amor bacana"
para o corpo se agitar.

E no balanço das linhas esculturais,
de fans apaixonados correndo lado a lado,
no calor e no suor das notas a alcançar
na esperança da linha de chegada alcançar
no calor e no suor das notas a alcançar
no calor e no suor das notas a alcançar.
Mas pique não vai faltar,.

Cada um a se movimentar,
na esperança de o Fortal recordar,
lá se encontrar a emoção,
Pois Lindo é Viver,
e que Seja Eterno Enquanto Dure!

Sem cervejas, sem músicas,
em passadas longas na busca
de a chegada alcançar.
Para muitos, pouco importa
se será em primeiro ou último lugar,
desde que possa contar que
teve seu ídolo ao seu lado.

Autora: Darlene Maciel


domingo, 2 de novembro de 2025

Sob a Manta do Jasmim





❀Sob a Manta do Jasmim

Teu cheiro me lembra jasmim,
Flor bela que a todos encanta.
Forte, resistente e leve como cetim,
Desejada pelo perfumista
Para suas notas roubar.

Teu cheiro me embala
Num doce aroma que cala,
Que flui pelas narinas,
Subindo à cabeça,
Me embriagando numa música
Que toca, me transformando.

Teu cheiro corre pelas veias,
Perfumando todo o meu ser,
Em leves gotas de orvalho,
Do amor que me incendeias.

Teu cheiro me cobre como uma manta,
Que o prazer da bela manhã encanta.
Que não deixa a luz entrar,
Só você pode adentrar.

Teu cheiro se impregna em meu olfato,
Como o cheiro do Jasmim Real,
Que nada tem de abstrato.
– Hipnose total.

Teu cheiro me enlouquece,
Como o Jasmim Estela.
Por ser único e encantador,
Faz do corpo uma donzela,
Que amacia a fera,
A fera do meu jardim.



sexta-feira, 31 de outubro de 2025

Delírios à Luz da Lua




🌙 Delírios à Luz da Lua

Era noite, cujo luar se desenhava
Na mansidão das águas do mar,
Igual a um tapete dourado,
Te convidando para lá morar.

Pensamentos voam
Para onde mora a solidão,
Na qual se espelha a pensar:
— Como será?

Feito carro à mão,
Brinquedos da infância,
Segue visualizando
Estradas imaginárias,
Feitas de fio de areia,
Igual à teia e sua aranha.

Vendo o reflexo da lua,
Tão majestosa, que só a prosa
É capaz de expressar,
De maneira bem gostosa,
Toda a sua beleza.

Pelas teias sigo a delirar,
A lua cheia que lá se encontra.
Será que nela posso morar?
Volto chorando — senão de tristeza,
Que seja de pura alegria.

E, num momento de imersão,
Mergulho fundo a pensar
Nas coisas que a vida nos traz.
Neste momento... vejo você,
Com seu amor avassalador,
Que foi pedido em oração.

Logo entendo que nem a lua,
Teia ou imaginação que flutua
Faz a mim delirar,
Pois só você, meu amor,
É capaz de me encantar.

Autora: Darlene Maciel




Do Que Tens Medo?



É incompreensível seus desvaneios.
Que medos você tem?
Será que deles devo fugir?

Não se deixe levar por fantasias.
A imaginação prega peças,
Outras boas, outras ruins.
Será que a sua se perde em delírios?

Percorro meu passado,
E vejo cenas que não condizem
Com os sentimentos de outrora.
Imagine — agora.

Te aconselho: — Não deixe sua vida
Ser moldada em molduras com figuras tristes
Ou simuladas numa parede velha e esquecida.

Sempre que a mente insistir
Em sentir desconfianças,
Diga ao seu coração: — Deixe o amor entrar.

Aqui, no meu coração, só cabe amor,
O nosso amor.
Vejo, claramente, meu cérebro se acender
Sempre que juntos estamos.

Então, do que tens medo?

Autora: Darlene Maciel

quinta-feira, 30 de outubro de 2025

O Amor em Sete Notas



Vou pedir inspiração
Para, em uma canção,
Teu coração alcançar,
E nele me instalar,
Para sempre me embalar.

Vou pedir inspiração
Para escrever uma música em oração,
Cujas bênçãos sejam sempre alcançadas
Em cada nota desenhada.

Vou pedir inspiração
Para escrever: Dó, Ré, Mi, Fá, Sol, Lá, Si,
Sem errar uma única nota — que drama!
Para dela sair, no pentagrama,
O amor que sinto por ti.

Vou pedir inspiração
Para cantar em escala,
Ascendente ou descendente,
A música da minha autoria,
Saindo cada Dó, Ré, Mi, Fá...
Sem desafinação.

Quero ouvir o mundo todo a cantar
Todo o meu amor por ti,
Com a mais pura emoção.

Autora: Darlene Maciel


O Amor e Suas Faces




O Amor e Suas Faces
Autora: Darlene Maciel

Há quem diga que o amor machuca,
Mas que coisa mais maluca!

Há quem diga que não sabe amar,
Que o amor corrói o coração até sangrar.

Há quem diga que amar demais faz mal,
Que pode o coração endurecer.

Mas eu digo que tudo tem a medida certa.
O meio-termo é requerido,
Pois o amor tem suas faces,
Cada uma conforme o amor recebido.

Pode ter a face do amor de mãe,
Que tudo perdoa.
Ou do amor paterno,
Sempre tão carrasco...
Ou não?

Pode ter a face do amor dos irmãos,
Dos meus eu bem conheço,
E agradeço.
E você?

E há também o amor que cresce com o tempo,
Que não nasce do sangue, mas do encontro,
Entre olhares que se entendem
E silêncios que se acolhem.

Pode ter a face das verdadeiras amizades,
Aquela que está contigo... com verdades,
Nascidas na educação,
Nos colégios onde todos se conhecem.

E de lá, a face do primeiro amor,
O primeiro beijo com sabor...

E aqui mora o perigo com suas nuances,
No decorrer dos dias,
Que o véu se abre ou se fecha.

Estes são os medos que moldaram
O quadro do amor que recebeu,
Num rodopiar de emoções,
Em saber ou não se relacionar a dois.

Amar não é fácil,
Se quiser ao outro enganar,
Se o egoísmo reinar,
Se a íris é frágil.

Amar tem seus desejos,
Saudades do amor esquecido,
Coragem para seguir adiante,
Mesmo com o rosto aquecido
De um saber esquecido.

Amar sem cobranças,
Desejando sempre o melhor,
No pulsar das batidas do coração,
No calafrio que arrepia a pele.

Amar com todo o seu coração,
Colherá o mel da abelha,
Sem o temor do seu ferrão.

No Ritmo do Meu Coração


No ritmo do meu coração
Vi traços altos e baixos,
Como os momentos de conflitos
E os prazeres da vida.

Traços que deslizam num papel,
Igual a beija-flor a voar.
São riscos da minha vida,
Que nunca irão se apagar!

Com passos cada vez mais apressados,
O calor sobe à pressão,
Feito vulcão em plena erupção,
Comparável ao meu coração,
Que, ao te ver, bate atropelado de paixão.

Entre passos e compassos,
Uma pergunta se escreve no ar:
— Será que há arritmia,
Ou é o meu coração a te contemplar?

Respirar vai ficando difícil,
Falta ar, faltam pernas.
Que bom que tudo parou...
Só não o meu coração.

Autora: Darlene Maciel

Minha querida Neta

Minha querida neta,

Você está finalizando o 3º ano do ensino médio, e meu coração transborda de orgulho. Sabe aquele sonho de ser avó? Eu o vi realizado no dia em que meu filho me esperava no alto da rampa da entrada do prédio.

Havia ali um sorriso quase nervoso, como quem perguntasse: “Será que ela vai aprovar?”
Ao seu lado, um cúmplice sorridente — o avô — tão radiante quanto o filho.
Já fui pensando: “O que esses dois estão aprontando?”

E então veio a pergunta:
— Sabe, mãe... a Riane está grávida?

Ah, eu pulei de alegria! Vinha você, minha neta primogênita.
E que felicidade! Foi tanta que saí contando aos quatro cantos: sou avó!

Difícil mesmo foi decifrar aquele momento em que sua mãe deu à luz.
Você veio pequenina, no berço, para mamar.
Era mãe, pai, avô, avó, tia, amigos... todos ali, a te admirar.

Vieram os primeiros passos,
As primeiras gracinhas,
Uma voz linda, fininha, doce...
Era pura meiguice.

Hoje, te ver assim, com seus quase 18 anos,
Me faz sentir saudades do tempo em que a vó era preterida.
Te ver enfrentar momentos escolares tão difíceis
Me fez entender: você já está quase adulta.

Sua sabedoria irá quebrar qualquer receio de não alcançar suas metas.
Tens argumentos para se tornar uma advogada de sucesso.
Seu discernimento te dá acesso ao mundo dos juízes, que ficarão aos teus pés.
Ou, com sua escrita clara, objetiva e curiosidade pode ser uma grande jornalista.
Pode enveredar pela diplomacia, pois sabes bem como
arguir com facilidade e discernimento, bem como se posicionar na melhor resolução dos conflitos.

Com tanta inteligência, raciocínio lógico, seria tranquila uma excelente médica,
Pois tens sensibilidade, maestria nas mãos, intuição e curiosidade —
Elementos que marcam uma médica por excelência.

Mas gosta de teatro, não é?
Crie suas histórias, seja a narradora; interprete os papeis que desejar, que, como mágica, irá encantar a plateia aos seus pés.

Olha, até em vendas, como teu pai, te vejo chegar com sucesso!

Na verdade, minha neta, eu não consigo imaginar uma vida sem razões para alguém tão completa como você.
Sim, o sucesso está inscrito nas paredes dos teus versos,
Na gramatura das tuas letras, nos sons dos teus desejos.

Vai! Acredite em você.
Pois eu... ah, eu... jamais duvidei de você:
Como estudante, como mulher, como filha, como neta.
E como profissional, será tudo aquilo que teu coração mandar e a razão ratificar.

Com amor eterno,
Sua avó

domingo, 26 de outubro de 2025

Grudadinhos que Nem Cola



Ele tem calor, ela tem frio.
Duas almas que se encaixam,
Embaixo do cobertor,
Formando um C no macio,
Igual a uma conchinha.

E se ela vem com o lençol,
Ele o joga para bem longe,
Pois tudo que quer é o calor
Do corpo dela, igual ao girassol,
Que segue a luz do Sol.

Ele enlaça sua cintura,
A puxa para bem pertinho.
Os pés deslizam com ternura,
Pra se colarem mais juntinhos,
Grudadinhos — que amor!

Ah! O calor do corpo dele, morno,
A faz adormecer pela paz que lá encontra.
Prazer igual não há, que a deixa sem retorno —
Só os dois podem entender: pronta.

Se à noite se separam,
Logo buscam se encontrar.
Seus braços buscam suas curvas,
Um beijo nas costas nuas se dá.
Assim o sono embalam e ficam —
Grudadinhos que nem eu e você!

Autora: Darlene Maciel

sábado, 25 de outubro de 2025

A Trilha Sonora das Manhãs



🎶 Todas as manhãs, as músicas tocam

No volume do nosso coração, ecoam,
Fluem pelos quatro cantos do quarto,
Deixando a vida entrar — emocionante.

Músicas românticas que nos levam a dançar,
Sem o chão tocar, quase a voar,
Num rodopiar, seguindo cada nota a deslizar.

Músicas alegres com o canto dos pássaros,
Soltos na natureza, em plena revoada,
Comemorando a aurora — mente avoada!
Ou o crepúsculo que se aproxima, meus caros.

Músicas antigas que levam o pensamento para longe,
Com doces recordações — amigos, antigos amores.
Nas rodas criadas pelas mãos dadas,
Brincadeiras doces e inesquecíveis,
Que atravessam memórias que vão longe.

Ouvir músicas torna o dia mais radiante,
Como o brilho do olhar inocente de uma criança.
E te ver cantar encanta o meu ser vibrante,
Envaidece a mulher que existe em mim, confiante.
Renova meu amor a cada melodia — adiante.

Autora: Darlene Maciel


O Mundo na Ponta dos Dedos



Desde os primórdios, usava-se para escrever: ossos, madeira, argila, carvão — até o dedo. Tudo que permitisse desenhar servia.

Assim se diz dos desenhos feitos nas cavernas, relíquias que o tempo guardou para nós.

Até uma pena se usou. Aquela que servia para voar, agora ajudava o mundo a se comunicar.

Finalmente veio o lápis — uma revolução para a escrita. Com ele, podia-se escrever com facilidade, onde um ponto seguido de outro criava uma linha, e desenhar letras virou brincadeira.

Daí para a caneta foi um pulo. Nos moldes de hoje, já não é preciso molhar a ponta da caneta. E não havia água que apagasse o que ali se escrevia — nem as lágrimas dos que choravam, nem o vento a varrer o chão.

Desde então, sua evolução chegou até os teclados, que, ao toque dos dedos, permitem dizer ao mundo tudo que se deseja. Me traz à lembrança meu avô, a teclar seus artigos para o jornal local. E com o uso do teclado do computador, tudo mudou: o mundo virou digital, e o que era distância ficou tão perto quanto a areia da praia.

Com tanta evolução, pensou-se que o lápis e a caneta cairiam em desuso. Quanta ilusão! Com a caneta na mão, vamos desenhando um mundo de emoções. O cérebro é ativado com cada letra desenhada — habilidades que o simples dedilhar não realiza com tanta maestria. Ao segurar o lápis, a caneta, ou qualquer instrumento que exige força e precisão, o corpo envia informações valiosas ao cérebro. O prazer de expressar sentimentos pelo movimento ondulante da escrita ativa não só o tato, mas também a emoção — uma dança entre mão, coração e mente.

Eu prefiro escrever no meu caderno. Cada pensamento é elaborado: meus poemas, minhas crônicas, meus textos. Só depois levo tudo para a tela do computador.

Agora, uso um teclado e os dedos — voltando assim ao começo.

Outro dia, vi um menino desenhar com carvão no chão, criando um lindo pássaro a voar.

Na areia da praia, vi escrito, bem grande: Eu te amo. 

Meu amor a escrever seus versos no teclado do celular.

Meus pensamentos fluem como o vento a soprar, e não param até conduzir meu coração ao caderninho dos meus sentimentos.

Se escrever é uma arte, eu sou a arte. Como arte, nada é igual — é tudo autoral.

Autora: Darlene Maciel

sábado, 18 de outubro de 2025

💬 Não Importa Nada Além

Não Importa Nada Além

Autora: Darlene Maciel

Você não precisa “não amar”,
Querendo apagar os bons momentos
Vividos quando ela era criança.
Que tal só saborear,
Como sorvete que logo vai acabar?

A diferença de idade, por circunstâncias que só nós sabemos,
Fazia você vê-la não como irmã, mas como uma mãe —
Que brincava de casinha, com sua irmã a cuidar,
A levar para a creche, para a faculdade,
Para as festinhas da irmã mais velha,
Tal qual boneca que se ganha: seu tesouro maior.

Quem nunca duvidou de quem era sua mãe — eu ou ela?
Era motivo de riso, essa história.
Dos falatórios do interior, que com olhos de maldade
Inventavam estórias que nunca existiram.

Hoje, mulheres, buscam esconder o que sentem uma pela outra.
Não façam do amadurecer algo maior
Do que o amor que une vocês.
Cada uma tem suas dores,
E motivos para chegarem até onde estão.

Nenhuma entendeu o real objetivo na infância —
Imagine na adolescência ou na idade madura.
De uma mãe que só queria que os irmãos juntos ficassem,
Criassem conexão entre os três, pois são irmãos.
E não interessa a idade —
Todos já passaram pelos mesmos conflitos,
Em diferentes momentos.

Criar mais uma barreira não se faz necessário.
O que se precisa é derrubá-las,
E olhar para cada um e dizer:

— Eu te amo.
Não importa nada além.

O Peso de Ser, o Amor de Ser



Nada há a fazer, a não ser te apoiar.
Não, não consigo entender,
Mas sim, eu te apoio,
E não deixo ninguém te ofender.

Vem à mente o preconceito,
O sentido de quem antes, mulher,
Hoje é um lindo rapaz.

Não há como apagar o nascimento,
As lembranças da menina
Que só queria brincar
Com brinquedos de meninos.

Sim, cedo deu seus sinais.

Tentando melhor entender,
Respostas fui buscar:
— Na creche, só tinhas meninos;
— Se parece com a avó,
Que adorava brincar com os meninos da rua,
Que soltava papagaio e com os irmãos brincava.
Mas diziam: “É menina, não pode!”
— Deve ter convivido muito com seus coleguinhas,
Por isso quer ser o Homem-Aranha!

Agora, já rapaz, lindo e inteligente,
Sofre consigo mesmo
Todas as dúvidas da adolescência.
E carrega em seu peito mais uma:
—  Será que irão me aceitar?

Já irá se formar.
E como será?
Na hora das fotos da infância?
Morrerá a menina que um dia existiu?
Assim como as fotos com os pais e avós?
Será como olhar para um espelho quebrado.

Mesmo que doa como espinho na alma,
Nunca vou te criticar.
E, com sangue e força,
Sei que vou para sempre te amar.

Autora: Darlene Maciel

domingo, 12 de outubro de 2025

Dias com as amigas



Não faltam risos, músicas
e muitas lembranças... boas ou tristes.

Assim são os dias de encontro com as amigas:
antigas parceiras da infância,
da época escolar — e também as mais recentes.

Momentos mágicos que surgem:
— Com quem você casou?
— E como está aquele?
— Você lembra do fulano?

E nesse ritmo vamos tecendo
o pano com fios das lembranças,
tal qual uma colcha de retalhos,
onde cada pedaço é uma história contada.

Cada uma narra sua recordação,
cheia de amor, risadas e choros.
Como o fiar forte que nunca para,
tecendo o tecido, fio a fio,
na velocidade da memória.

E se esse fio for de um violão,
a veia artística e espontânea já fia alto,
com voz alegre,
sem receio de desafinar — o que importa é cantar.
Como diz o ditado:
“Quem canta seus males espanta.”

E num dedilhar final, despedem-se,
já marcando um novo encontro,
com promessas de que mais dias virão.

Autora: Darlene Maciel

sábado, 11 de outubro de 2025

Me Sinto Num Barco à Vela



Me sinto num barco à vela,
Levada pelo vento a soprar,
Rosto ao sol, cabelos a voar,
Vendo os raios solares a embelezar
O tempo a passar.

E como barco, navego
Por águas conhecidas,
Para que o leme
Siga seu curso,
Mesmo nas tormentas,
Aguardando a bonança chegar.

Águas tão puras quanto
O meu amor por você!
Que enche meus pulmões
De ar fresco e do perfume do mar,
Como a relva a se
Enraizar em todo o meu ser.

Na bússola do meu coração,
Imagino suas mãos guiando as minhas,
Com leves movimentos, para não
Desviar o caminho.

Sonhando, chego ao porto seguro,
Onde você me espera, dia após dia,
Com seus laços de marinheiro,
Para nunca mais meu barco derivar
E, nos seus braços, sempre ficar.

E te ouvir dizer:
— Vem, meu amor,
Estou com saudades de você!

Autora: Darlene Maciel


Saudades, papai!


Já não te espero chegar.

Aquela menina loira,
de cabelos cacheados,
aguardava ansiosa
a tua presença.

Já não te espero chegar

com seus presentes
tão intrigantes.
Um dia, uma gaiola com passarinho —
“Voa, passarinho!”, e lá se foi o presente.
Ou o bode que não podia me ver,
que dava umas cabeçadas em mim.
E tua presença... sempre ausente!

Já não te espero chegar

com seu carro todo enfeitado:
uma rede pendurada no retrovisor,
um caranguejo na marcha,
um ventilador minúsculo no painel,
uma música engraçada na ré.
E assim, te vi seguir
pelas estradas a viajar...

Já não te espero mais chegar

para pedir um churrasco misto,
para, ao teu lado, varrer o chão,
na ânsia de conseguir tua permissão —
até você perguntar: “Vai fazer um buraco?”

Já não te espero chegar

para perguntar se posso namorar,
e me fazer aquelas perguntas
sobre famílias que eu não sabia responder.

Agora, já sei as respostas,
mas você já não está mais aqui
para ouvir — e rebater.

Ai ,que Saudades senti!

Autora: Darlene Maciel

domingo, 5 de outubro de 2025

A Dançarina


A noite se aconchega no ocaso,
E com ela, todo o esplendor prateado,
Onde mistério e arcano se entrelaçam,
Dão espaço à imaginação.

Quem sabe, uma dançarina
Se embala à sintonia de Beethoven,
Sonhando com seu par,
A com ela bailar.

Nas pontas dos pés, dando pulos,
Saltos num grand jeté,
Igual a uma gazela,
Correndo pela várzea,
Rodopiando que nem pião.

E no palco, quem sabe,
Alguém está a sonhar,
Dançando ao lado da linda bailarina,
E, num suspiro, a carrega em seus braços,
E juntos bailam sem parar.

A noite varre os sonhos,
Embalam as imaginações,
E, de pulo em pulo,
Ao som dos amantes,
Se vai até o raiar da aurora.

A música para,
As sapatilhas são esquecidas,
E os pares se vão
No turbilhão do dia a dia.


Autora: Darlene Maciel

domingo, 14 de setembro de 2025

Até Que o Sol Nos Chame



Como é prazeroso
Ao teu lado estar,
Em cada amanhecer.
Já imagino o Sol imperioso
Se erguendo a nos aquecer.

O dia segue corriqueiro
Num prazer latente do labor.
Muito a fazer com fervor,
Para mais tarde,
A gente se encontrar.

E eu, ao teu lado, a me esticar,
Para mexer todo o corpo,
tal qual um preguiçar.
Um olhando para o outro,
Na busca do último exercício,
Para logo na esteira se jogar.

Tal qual um corredor,
Que tudo alcança
Sem pensar no próximo lugar.

Quando o tempo termina, começa o jantar.
Um do lado do outro, a se contemplar.
Nesses momentos, conversas vêm
Num tom saudoso ou no sabor
Do hoje ao amanhã!

Agora, resta apenas descansar
Nos braços do meu amor,
Que com ternura me abraça,
Me enlaça, no silêncio da noite,
Para só no outro dia me soltar.

Autora: Darlene Maciel  

sábado, 13 de setembro de 2025

Jardim de jarros








Como cuidar de ti

Lindo jardim de jarros?
Não estais em solo fértil,
No chão da natureza.

Dependes de cuidados
Que a mim são negados.
Saberes do nosso Criador: –
Senhor de tudo e de todos.

Tu fizestes tão belos e perfeitos,
Deu a cada ser vegetal
Sua fonte de atributos,
Capazes de curar ou matar,
De embelezar cada
Um com distinta perfeição.

Aqui, no meu cantinho,
Minha terra elevada, infrutífera,
Trago plantas em recipientes de barro
Que sustentam raízes
Para florir minha morada de pedra e cimento.

Mas, por pouco conhecer
Dos botões que se abrem ao Sol,
Busco em livros o que
Minhas mãos não sabem dar.
Crio os componentes nutricionais
Com tudo que venho a saber.

Ah, meu jardim de jarros!
Como estais bonito agora,
Com flores verde e rosa,
De espadas de São Jorge até Dragão.

Vejo agora meu jardim,
Viçoso, a balançar ao vento
Que leva o cheiro das flores
A cada narina que aqui passa.

Autora: Darlene Maciel



domingo, 24 de agosto de 2025

Teu ciúmes


Teus ciúmes me incomodam,

Deixam-me como uma roupa,
Sem moda, apática ao tempo,
Que vai ao relento,
Feita roda.

Teus ciúmes me apavoram.
Não vês que sou tua devota?
É mais uma derrota!

Teus ciúmes me causam dúvidas:
Se hoje ou noutras vidas
Tu foste infiel...
Só os infiéis têm ciúmes
Desmedidos, ilógicos.

Teus ciúmes, às vezes, me envaidecem.
Me tornam desejável, amada.
Mas logo vem a pergunta:

– Será na medida certa?
Se sim, vamos viver o sonho, por certo.
Se não, como reinventar a vida encantada?

Talvez com um amor mais comedido,
Um abraço justo, bem ajustado,
Sem espaço para uma vida
De receios e tantos medos.

E assim o ciúme desaparece,
Quase como uma prece.

Autora: Darlene Maciel




domingo, 17 de agosto de 2025

Me ajude a entender


Me Ajude a Entender

Autora: Darlene Maciel

Me ajude a entender:
Por que desenhar no corpo
riscos que não dizem nada?
Parecem um jardim de tintas,
mas acompanham uma geração.

Sinto algo estranho
ao ver as cicatrizes
que marcam pedaços teus.
Daí, sem me avisar,
se instala no meu pensar:

Que dor doída é essa?
Dor do não entender
esse teu grito silencioso,
que rasga o meu peito
num grito furioso.

Já não se sabe por quê
as lágrimas escorrem
pelo rosto ao chão,
por não crer nessa ponte
quebrada entre gerações...
E o pensamento vai longe,
para onde os olhos não veem.

Dói — as frases ditas sem pensar.
Dói — cada desenho feito na pele tão jovem.
Que necessidade é essa
de chamar tanta atenção?
Assim segue meu coração
em desalinho crescente...

E as lágrimas aumentam,
pois nada se pode fazer.
Crê ser independente,
que desenhos, às vezes belos,
podem má impressão causar.
Nem imagina o quão dependente
se é do outro — e o outro
pode não te aceitar.

Que erros aconteceram?
Onde foi parar o amor?
Só as lágrimas limpam
as dúvidas do coração
de uma mãe que só
pode olhar... e calar.


sábado, 16 de agosto de 2025

Teu amor sereno


Sereno é teu amor
A mostrar a vida
Num ritmo manso,
Lindo, cheio de cores.

Onde o canto do pássaro
Ressoa em todos os caminhos,
Nos ajudando a perceber
Que juntos tudo é bonito,
Tudo faz sentido.

Teu olhar tem linhas
Onde escrevo as aventuras
De estar contigo:
Aventura sem par.

E ouço a música vibrante
A nos acompanhar
Neste caminhar edificante.

Teus braços tecem linhas
Que se enroscam firmes
Em todo o meu corpo,
Para não faltar um fio
Sem a força do teu abraço.

Teus pés, tão firmes no chão,
São raízes a sustentar
Este amor que foi regado
Pelas águas dos nossos corpos
A transpirar de amor.

E neste ritmo lento,
Busca-se viver,
De forma intensa,
Esse amor divino.

Como o rio que navega,
Ora lentamente,
Ora vorazmente,
Até o mar alcançar.
E de lá, se tornar
Uma imensidão sem fim.

Autora: Darlene Maciel



sexta-feira, 15 de agosto de 2025

Meu presente


Um dia pedi a Deus: – O amor conhecer.
E, rápido, em prece contei o que queria
desse amor sem adeus, sem jamais se perder.

Alguém que me amasse sem passados,
capaz de respeitar meu corpo maduro,
curtido pelo tempo e seus cuidados,
com marcas de momentos mais que sagrados.

Alguém que desejasse ser amado e amar,
na mesma intensidade que a luz tem,
cujo clarão ilumina os escuros a gritar,
e que a vida insiste em nos fazer refém.

Alguém tão experiente quanto eu,
com traços lapidados pelas eras,
e cuja história brilhe além da minha,
mais rica que um simples cordel sincero.

Alguém cujo coração não tem amargura,
sem espaço para dor ou fissura,
que ame viver em plena aventura,
e encontre na alegria a ternura.

Alguém, assim, tão certo como você,
que chegou de surpresa em minha vida,
se encaixou no pedido que fiz a Deus,
sem pedir licença, se fez merecer,
e tomou conta de todo o meu ser.

Eu vejo-o como um grato presente
que Deus me concedeu em santa benção,
pois só queria o amor conhecer
e nele me envolver em emoção.

Espero que dure para sempre,
assim como o sol que insiste em nascer,
nossos dias sejam sempre de amor,
como o rio que namora com o mar,
e que mantenha a todos satisfeitos,
pois sem a água não vamos viver.

Autora: Darlene Maciel

terça-feira, 12 de agosto de 2025

Bom dia, meu amor


Bom dia, meu amor

O dia começa com um... — Bom dia, meu amor!
Nada melhor para matar o jejum matutino
que ver o teu sorriso — encantador e divino,
que mata a fome e traça o destino.

Depois, mergulhar em teus olhos sedentos,
querendo, num longo beijo, nos atar,
como laços que nos entrelaçam,
assim queremos ficar.

Entre roçados de pernas,
num deslizar lento, gostoso, da imaginação,
sinto o abraço que acende e faz tremer
todo o meu corpo — como chama em explosão!

A cama, nossa amiga,
não quer nos libertar.
Nos convida a dançar,
a flutuar como o vento a soprar.

Quando todo o corpo transpira,
joga para fora o calor da emoção
que nasce do nosso querer.
Ficamos quietos, quase em oração,
num arfar gostoso de ouvir.
Assim, o dia inicia.

Mas a vida tem seus afazeres,
cada um no seu lugar,
como os ponteiros que correm sem parar,
na ânsia de logo se encontrar,
para, mais uma vez, juntos ficar.

Na noite que se inicia,
queremos na cama deitar,
nossa cúmplice mais fiel,
guardiã dos nossos segredos,
sempre disposta a nos abrigar.

E nosso dia termina com um: — Boa noite, meu amor!

Daí, já não há mais nada a fazer,
a não ser esperar o dia amanhecer...
Para dizer: — Bom dia, meu amor.
E recomeçar o ciclo infinito
do abraço que nos envolve — e nunca termina.

Autora: Darlene Maciel

segunda-feira, 14 de julho de 2025

A partida

Descanse em Paz

Todos ao seu redor,
A lembrar dos bons momentos,
Das benfeitorias,
Até mesmo das traquinagens.

Enquanto você ali, parado,
Inerte num corpo sem vida.
Já não mais risonho,
Já não mais brincalhão.

Do sorriso franco me lembro,
Do jeito leve de mostrar a vida —
Às vezes sarcástico,
Às vezes só pirraça.

Agora, já não conta histórias...
São os outros que vão contar sobre você.
Mas, para quem tem uma família tão linda,
Não há o que se diga de ruim.

Não vou dizer que preferia
Aqui te ter —
Pois seria negar os dizeres de Deus:
"Porque tu és pó, e ao pó tornarás."

Descanse em paz, caro amigo,
Com quem pouco convivi,
Mas de quem aprendi
Que a família é o centro da vida.

Descanse em paz.

Autora: Darlene Maciel

domingo, 13 de julho de 2025

Meu olhar no teu olhar.


Já tentei de mil maneiras de te falar
Sobre como vejo o teu olhar.

Poesias escrevi, com paixão!
E, em cada poema, me expressei —
Sempre desenhando os olhos apaixonados que via,
E, tenho que confessar: ainda não consegui.

Agora tento, mais uma vez, descrever
O que sinto ao mirar os teus olhos brilhantes.
Olhos puros, com dizeres profundos, constantes,
Com mistérios a serem revelados,
Tão expressivos como o fundo do mar:

Calmo...
De uma mansidão de dar medo!
Medo pela escuridão da profundidade,
Medo de nele se perder, pela amplitude
Deste mar sem fim...
Ou pela correnteza que pode te levar.

Quando, assim, o percebo,
Tuas mãos eu seguro —
Tão forte como uma corrente de aço.

Depois te abraço,
Te sentindo meu.

Volto meus olhos
E fito os teus,
Para ter certeza
De que nem correnteza,

Nem tormenta incerta
Vai mudar o nosso amor,
Espelhado no teu olhar —

Que nasceu maduro, com certeza.
Tão seguro, forte, que nada — só Deus —
Pode mudar o que olhamos juntos:
Meu olhar no teu olhar.

sábado, 5 de julho de 2025

O que te deixa tão inseguro?


O que te deixa tão inseguro?

Se o meu amor a ti asseguro,
Entre palavras, gestos e olhares?

Por que duvidas deste amor?
Se em teus braços me sinto
A mulher mais bela, amada
E desejada?

Por que teus olhos estão zangados?
Se meu sorriso a ti dirijo,
Com agrados a te beijar?

Por que buscas por dúvidas,
Se não desejo outras vidas
Que não esta com você?

Vem, aquieta tua alma,
Aconchega-te ao meu lado,
Sereno e calmo.

Junta teu corpo ao meu
Num laço sem abraço,
Cuja magia flui do entrelaçado
Dos nossos corpos.

Tecendo um som gostoso,
Que só os apaixonados podem ouvir,
Que nos diz que nascemos um para o outro.
E dúvidas não há por que existir.

Autora: Darlene Maciel

Qual o preço da felicidade?


Qual o preço da felicidade?
E quão perto está da infelicidade!
Não tive tempo — nem consegui ver.
É a mais pura verdade.

Me contentava em seguir adiante,
a caminhar na cegueira constante.
Não havia como mudar a semente
plantada no fundo do inconsciente.

O preço pago foi o amor unipessoal:
de mim, comigo mesma,
me agarrando aos farrapos, ao léu.
Será que paguei alto demais?

A resposta está no processo que se deu.
À medida que minha boca calou, meu corpo respondeu.
Foi um movimento imperceptível, prolongado, a me envolver,
até o instante em que se agarra o braço de alguém
com a mesma força da dor que se sente —
e vê-se o terror em seus olhos, somente.

Sim, algo mudou em você.
Sua agressividade é incontrolável.
Há uma guerra — interna e externa — em você,
entre o estar certo e o errado,
entre saber tudo e ser insuportável.

No silêncio da noite, sabia-se o porquê;
no florescer do dia, tudo se escondia.
As lágrimas vinham e iam, sem covardia.
E eu cobria meu rosto com um véu,
que transformava tudo em melodia.


Autora: Darlene Maciel

sábado, 21 de junho de 2025

Te amar é fácil!



Te amar é fácil,
Você é puro, sensível e ágil,
Para fazer tudo o mais lindo possível
Dentro do nosso mundo mil.

Te amar me encanta,
A ponto de tudo ficar azul,
Como o céu num dia sem véu,
Onde o sol beija minha pele,
Feito fogo descendo do céu.

Te amar me permite ser feliz,
Tal qual a águia no céu a voar,
Percorrendo a relva com seu olhar
Aguçado de caçador,
Presa fácil só para em teus braços ficar.

Te amar me faz sorrir
Para tudo ao meu redor,
Como o mar beija a areia
E te convida para ali se banhar,
Deixando tudo de mal sair.

Te amar, te amar e amar,
Assim como a águia ama voar,
O sol ama aquecer,
O mar ama banhar,
E você ama me amar
Assim como sou!

Autora: Darlene Macie

quinta-feira, 19 de junho de 2025

Ah, o amor!


Ah, o amor!
Mente ao dizer que não quer,  
ao fingir repulsa,  
por medo de errar,  
só pra esconder  
que o que mais deseja  
é amar.

Ah, o amor!  
Sofre por feridas mal curadas,  
pela dor do partir,  
por desejar o proibido,  
por não saber  
o que sentir.

Ah, o amor!
Chora pela despedida,  
pelas mágoas sentidas,  
pelo doce do sorriso,  
por saber  
que é amor, de fato.

Ah, o amor! 
Ama — e se esquece de tudo  
quando se permite de novo:

amar sem remorsos,  
amar sem receios,  
amar sem dor,  
amar sem mentir...

Ah, o amor!

Índia por Natureza


Índia por natureza

Autora: Darlene Maciel

Adoro deitar no chão da casa,
levantar as pernas
e apoiá-las no sofá.

Sinto o frio do assoalho,
do vento fresquinho
a embalar meu cochilo.

Uma sensação de prazer
que me faz relaxar
e deixar tudo para lá.

Sinto-me como se estivesse a flutuar,
deixando a imaginação navegar
em mares calmos,
com sua brisa a soprar.

O chão é como a Terra Mãe,
que de tudo cuida.
Não falta alimento
para a alma acalmar,
sobrevoar toda a relva
num olhar.

Mãe Terra, que nos faz lembrar da Morgana,
mulher sacerdotisa,
terna como veludo,
forte como a rocha,
mística, guardiã de Avalon.

Por isso, gosto tanto de sentir
o frio do azulejo
ou a terra em meus pés.

Sinto a força fluída da vida,
revigorada
em cada repouso que me convida.

Adoro deitar no chão,
ouvir você dizer
que sou índia por natureza.

Guardo no peito os saberes,
da importância da terra que cura.

Como índia, tenho hábitos ancestrais,
e ao chão devo sempre recorrer
para minhas forças resgatar...


Pois sou índia por natureza.


domingo, 15 de junho de 2025

Quem me dera...



Quem me dera
Autora: Darlene Maciel

Quem me dera poder mudar
aquilo que causei,
mesmo sem o desejar.

Quem me dera
mudar o pedido que me fez,
que não pude atender.

Quem me dera
não ver mais, em teus olhos,
a tristeza que causei,
quando tudo que quis
era me fazer entender.

Quem me dera
poder diminuir a dor
que vi em seu triste olhar,
pois não foi esse o meu pensar.

Saiba, meu amor,
que, dentre as promessas feitas,
faltou uma: — nunca mais vou te magoar.


Harpia



Harpia

Autora: Darlene Maciel

Harpia, grande e imperiosa,
voa no alto do céu,
com seu olhar aguçado de caçadora,
na busca impiedosa
de uma presa.
Assim, te vi a me olhar;
como presa, não consegui escapar.

Teu porte absoluto
foi símbolo de coragem e braveza
nos escudos dos senhores da guerra.
Como não te admirar e amar,
meu senhor das alturas?

Me pegaste com suas garras,
me levaste até o céu, para de lá
sentir o gosto do teu calor,
sem receio de cair,
já que, com tuas forças,
para onde o amor vai, me levas.

Me vi presa no alto de tua morada,
a admirar a imponência do lugar.
Medo jamais senti,
pois me cobrias com tuas asas
e me alimentavas com teu calor.

Saiba, Hárpia querida,
tua beleza me embriaga
nas caladas da noite.
Sinto como se o céu
fosse nossa eterna morada e,
de lá, só saio contigo a voar.

Assim és tu, meu amor!
Quem me faz mais feliz todo dia,
no aconchego do nosso ninho,
no abraço que me alça às alturas,
onde amar é o próprio céu.

P.S.: Te amo.














domingo, 8 de junho de 2025

A noiva



A noiva

Autora: Darlene Maciel

Tão linda de véu e grinalda,
parada à porta da igreja,
começa a dar passos,
leves e suaves,
em direção ao ser amado.

Ao passar, se podia ver sua grinalda,
tão longa que parecia
cachoeira a jorrar água benta
em todos que ali estavam.

O vestido branco a deixava parecida
com uma princesa de contos de fada —
singela e pura.

Olhá-la encheu-me de orgulho.
Lágrimas saíram dos meus olhos,
apreciando a imagem imaculada da noiva,
que passava a desfilar com tanta formosura.

Ali, no altar, estava a realização de um sonho e desejo:
vê-la de véu e grinalda,
a entrar na igreja
ao som da Ave Maria.

A música toca suave,
e ela, a caminhar com o buquê em suas mãos,
deixava um doce perfume de jasmim
a quem todos agradava.

Pétalas de rosas vermelhas
rodopiavam
com bênçãos de lançadas
e todos a admiravam
por beleza sem igual.
Quanta alegria
a todos embalava.

No altar, os noivos se encontraram,
e seus olhos se fitaram.
Com delicadeza,
suas mãos se juntaram
em juras de amor,
com promessas
que a todos encantavam.

De menina a mulher,
nada mais lindo que o sonho realizado —
onde o que se espera, enfim se alcança:
foram felizes para sempre!

Que a bênção de Deus guarde
no coração dos presentes
que o amor a todos encanta —
e, sem ele,
não existe felicidade.

Felicidades aos noivos!
Em especial à noiva,
símbolo de luz,
ternura
e beleza.


terça-feira, 6 de maio de 2025

A louca que habita em mim


A louca que habita em mim é doidivana,
chega sem ser convidada,
sem razão para existir.

Sai, sai de mim!
Sai pela porta ou pela janela,
pula no ar da tua loucura
e esquece de mim,
pois aqui não é tua morada.

Teus olhos molhados
não justificam tua lua cheia,
que traz medo e insegurança
aos mistérios da meia-noite.

Com o peito inchado de ódio, raiva,
cruzas o céu
na tua caravana insana da desordem
e não olhas mais para trás.

Vai veloz, para bem longe de mim,
a gritar bem alto:
"o mundo não te merece,
o céu te cega
e o sol te queima a alma".

Como um raio,
cujas faíscas se veem,
lança teu rancor contra a terra
para nela morrer
e dela nunca mais sair.

Quem és tu?
Ingrata loucura!
Que me deixa pasma,
sem crer que tanto ódio é possível.

Respiro profundo
para tudo entender,
silencio minha mente,
calo minha boca
e, de ti, quero distância.

Não te sigo mais,
não te quero aqui.
Tudo que quero é paz.

Sai zunindo,
sem saber o que quer,
queima tuas dores,
sara tuas feridas,
mas deixa que a noite vire dia,
o sol nasça
e tudo floresça
em felicidade,
amor
e paz.


Autora: Darlene Maciel

Ondas da Nossa História




De que adianta morar na praia
E não aproveitar o sol que raia?
Ficando apenas a olhar
O mar que nos convida
Para em suas águas nadar.

Vamos colocar os biquínis,
Muito bronzeador —
Pois este não pode faltar.

Rumar para a praia,
Cruzar suas areias,
Brancas e soltas a bailar,
Levadas pelo vento,
Igual a pipa no ar.

Buscar quem pode das roupas cuidar,
Para nas águas do mar mergulhar.

Correr para a espuma do mar,
Na busca da melhor onda,
Como faz o surfista nas ondas do mar.

Nem tenha medo —
A correnteza é só a onda a se formar.

Nesta hora, você pode:
Mergulhar ou deslizar pelas ondas
Até a beira-mar.

Cuidado com o surfista —
Ele vem veloz numa onda seguinte.

Mergulha para não bater,
E olha com raiva para ele...
Depois começa a sorrir.
Ele também quer se divertir.

Tem criança a chorar com medo do mar —
Nem sabe ela que, em breve,
Do mar não vai querer sair.

Tem pais e mães a brincar com seus filhos,
Num vai e vem das ondas,
Como um barco à deriva.

Ah! Como é bom contigo estar,
Agarradinho dentro do mar!

Mas não mergulha na minha frente,
Pois vou me machucar...
Creio que você quer me dengar.

Como é gostoso te abraçar,
Beijar e mergulhar!
Por mim, dali não saia, 
Já que só queremos:
Banhar, boiar, brincar — no mar, tudo é amar.

Vem, amor, vamos para casa —
Pois lá vamos mergulhar, enfim,
Nas ondas da nossa história,
Que se quebram e voltam
Igual ao mar sem fim.

Assim, nosso amor continua.
Quem sabe amanhã,
Novamente iremos
No mar se banhar?




Autora: Darlene Maciel


sábado, 3 de maio de 2025

Às vezes me pergunto.


Às vezes me pergunto

Sobre o quê escrever.

Olho para o papel pautado
E nada vem para descrever.
Só um vazio no olhar encurtado.

Assim, os minutos vão passando
E sigo a escrever sobre o que posso revelar.
A mente busca por palavras que possam combinar,
Mas combinar com o quê?

Num momento de vazio,
Olho para a claridade
Que me chama a atenção.

Quem sabe, sobre o Sol
Que embeleza o dia
Com seus raios a mostrar
Toda a vida que se ergue!

Posso ainda descrever
A sensação que acordar ao seu lado me deixa dengosa,
Cujo abraço não quero soltar,
Pois nele me sinto segura.

Hum! Talvez dizer
Que a vida é mais colorida
Quando juntos estamos.

Que os pássaros cantam,
Que o arco-íris se mostra no horizonte,
Criando a imaginação
De um tesouro que, no final, existe
Só na imaginação dos apaixonados,
E logo se dissipa
Para meu amor voltar a sonhar.

E me vejo, já escrevendo tudo isso,
Já que o que reina em nossas vidas é o amor —
E falar dele não há limites.

Há cores, sabores e desejos.

Autora: Darlene Maciel

domingo, 27 de abril de 2025

Eu quero tudo


Eu quero tudo

O que tenho
E o que vou conseguir no futuro,
Pois tenho o merecimento.

Quero o amor que me foi destinado,
Tal qual o nascer das flores
A cada florecer.

Quero a vida mais intensa,
Como o Sol de Verão a brilhar,
Que dá vida à ramagem,
Num verdeado de dar gosto.

Quero, todos os dias, teus beijos que me guiam,
Como a estrela de Belém que guiou
Os três reis magos
Até uma vida que nascia,
Logo ali.

Quero amar e ser amada,
Como hoje e sempre nos amaremos —
E isso vai muito além da descida.

Eu?
Eu quero tudo que nosso amor tem:
Pureza, sabedoria e ciência.
Pois te amar me dá luz,
Me mostra os caminhos,
Me leva à Vida.

Autora: Darlene Maciel