segunda-feira, 13 de abril de 2026

Ciranda da Razão com o Coração




A roda da dúvida gira sem cessar,
fazendo a mola rodopiar, a rodar,
de mãos dadas para não quebrar.

Quebra pela matemática
que não fecha, só enrola.
Parece uma roda de linhas elásticas,
fechando-se num círculo, feito bola.

Que é flexo, é numeral,
uma soma que multiplica,
e quando divide não cobre
nem o reflexo,
imagine a conta!

Os números nos mostram
que tudo é matemática,
que seja pela razão
ou pelo coração.

A razão te manda ir em frente,
seguir sem olhar para trás, nunca mais.
O coração te mostra todas as emoções
que a razão esconde. Mente.

E no meio da dúvida que floresce
surge o brincar de margarida,
onde as pedras não fazem falta.
Mas faz falta a razão
não encantar a margarida.

Se encantar a margarida, vai florir a tua vida,
com cravos de jó — é um remédio só.
Tudo é uma ciranda da razão com o coração.
E não adianta: só vale a canção.

Autora: Darlene

Caminhar



Caminhar para pensar,
e acalmar a alma em vulcão:
dos sentimentos feito borbulhão.

Caminhar para parar o tempo
que não voou do avião,
que não pousou sobrevoando o vulcão.

Caminhar para alcançar as palavras
que se atiraram às flechas
no coração em sangue a jorrar.

Caminhar para jogar fora
tudo que o pensar quis calar
na boca muda de prosa.

Caminhar para afugentar pensamentos
livres de podridão.
O que não foi dito não faz sentido.

Caminhar para moldar o pensamento
que calou as palavras ditas ao vento.
O vulcão que não jorrou lavas
cheias de comoção, mas incendiou as palavras.

Caminhar…

Autora: Darlene Maciel

sexta-feira, 10 de abril de 2026

O Sabor das Lembranças



O almoço ao meio-dia
tem gosto de alegria,
pelas risadas e conversas a mil,
dos seus netos, ao almoçar consigo.

Com leveza, pomos amor
em cada tempero na refeição.
O caldo corre pelo macarrão,
dando cor ao sabor da vida.

Um doce aroma sobe pelas narinas,
relembra seus dias de infância.
Dos dias dos teimosos,
na gula da criançada,
com olhos gulosos,
a devorar a comida da vovó.

Assim é a carência de vó.
De juntar seus ninhos
nas árvores da vida, sem espinhos.
Orando pelos seus filhos e netos,
na esperança de que o futuro
dela não se esqueçam.

São a continuidade de sua existência,
cada uma quer deixar suas lembranças afetivas.
Assim como sua própria experiência,
neta que também foi festiva.

Já se imagina a ser lembrada
pelas travessuras da vovó,
do esconde-esconde a se mostrar,
só para um sorriso ganhar.
Ou ouvir dizer: — Que delícia de almoço, vovó!

Autora: Darlene Maciel

domingo, 5 de abril de 2026

A Boca que Me Chama

 


Teus lábios são vermelhos como a maçã. Doce como o mel mais nobre da colmeia.

Quando meus lábios falam com os teus, ouço sinos a tocar, chamando: — vem amar!

Quando tu falas, fico muda pelo encanto da visão hipnotizada dos movimentos labiais a produzir sons inaudíveis.

Da tua boca encarnada, bem desenhada, como linhas retas de um grande desenhista, conta a história do meu querer.

Boca que toca na minha com a suavidade das plumas de algodão, e da volúpia da fome de então.

Boca que exala o cheiro avassalador do desejo que não se esconde.

Beijá-la me faz pensar no gosto que escorre na pele eriçada.

Boca que me diz: — Vem, minha aprendiz, deixa eu te ensinar a sonhar de olhos abertos.

Vem ser feliz, ... tua boca.

Autora: Darlene Maciel

sábado, 4 de abril de 2026

Liberdade de Mim


Olhei pela janela, pensei:
— Me sinto como uma prisioneira,
que, do alto de seu castelo,
a princesa não pode descer.

Então, a porta abri
para fazer o que pensava
e nunca ousava.
Como se houvesse uma grande
barreira invisível e intransponível.

São dois quarteirões,
da janela que eu olhava,
para o mar alcançar
e nele me soltar,
destemida das amarras que só eu via.

Em passos firmes segui,
levei comigo o meu amor.
Juntos, de mãos dadas,
nas águas do mar conversar,
mergulhar e sorrir.

Conversas bobas, agradáveis de ouvir.
Entre mergulhos, nos abraçamos,
como a erva daninha
num abraço sem fim..

Mar de águas mornas,
de maré baixa,
quase sem ondas,
a deslizar pelos caminhos
traçados no ar.

Ar de iodo, de brisa leve,
de liberdade,
pois a porta escancarou
meu desejo de ser
...sem correntes.

Livre de mim mesma,
que cria grades imaginárias,
limites que não existiam.
Pernas com medo de seguir
e assumir o amor de mãos dadas.

Autora: Darlene Maciel



O Mundo Que Cabe na Janela



Da janela, vejo a vida acontecer.
O colégio ansiando por seus alunos,
carros enfileirados, a seus filhos deixar,
buzinas impacientes de quem não quer esperar.

Fito no futuro das crianças,
crescendo e florescendo suas habilidades.
Dali sairão médicos, engenheiros, advogados —
um mundo à disposição deles.

Da janela, o mundo respira pelos prédios,
altos, baixos, com seus moradores
num movimento de vai e vem nos arredores.
Muitas vezes me pego a pensar:
— Quem mora lá?

Da janela vejo o mar.
Ao longe, suas ondas,
tão pequeninas,
que só parecem espumas,
feito bolinhas coloridas
que explodem sem querer.

Da janela do meu quarto
vejo o prazer de aqui morar,
rodeada de tanta beleza.
Quando viro o rosto
e olho nosso quarto, aconchegante
e como o abraço do prazer,
aí vejo eu e você,
felizes com tanta leveza.

Autora: Darlene Maciel


O Sol Que Se Despede



O sol estava se preparando para, em outro lugar, raiar,
já que a noite queria entrar.
Até as águas do mar pareciam saber,
pois não havia tantas ondas a se enrolar,
e, aos poucos, foi amansando,
feito bruto a brigar.

E eu, a contemplar
a beleza de um novo luar,
vejo o sol, imenso, alaranjado,
com clicks a gravar
cada momento
do céu a se esconder.

Neste cenário tão bonito,
vozes murmurantes diziam,
ao som de uma melodia,
que tudo devia parar.
Mas a vida pede movimento,
e o sol do amanhã irá raiar.

Neste clima mais que romântico,
seguro a mão do meu amor,
com todo o cuidado de uma flor,
e, na dureza do aço carbono,
sua mão jamais vou soltar.

Autora: Darlene Maciel






A Menina e a Noiva



Quiçá crença tem, é pura nóia, mas,
para minha surpresa: o vestido é de noiva:
branco, de cauda longa, na leveza de sua beleza.

Uma lágrima vai lentamente passeando,
arrastando memórias
de uma linda criança,
chamada de anjo, que chorava em rios de pranto,
pois nasceu intensa —
por natureza.

A cada lágrima que desce dos olhos felizes,
surge a lembrança da infância,
dos abraços enrolados
que nem um nó no poste,
só para a aula faltar.

Linda na festa do ABC,
vestida de princesa, surge risonha,
com o sorriso maroto,
o dente a faltar
e olhos grandes a sorrir.

O tempo escorre entre lembranças
da juventude do “tudo saber”,
quando, numa festa junina,
saltitante de intensidade,
mais linda matutinha não havia —
a princesa do sertão.

Agora mulher, seu par encontrou —
um menino grandão,
que fez seu sorriso ser tão abundante
quanto as lágrimas infantis
que tudo queriam.

Eis você, aqui e agora você,
vestida de noiva,
com um sorriso nos lábios,
pronta para o mundo gritar
o seu amor
pelo príncipe que encontrou
e a encantou.

Autora: Darlene Maciel