sábado, 25 de janeiro de 2025

Meus Dias Em Azul


Meus dias em azul

Autora: Darlene Maciel

A cada dia vejo tudo azul,
como o céu com suas nuvens brancas
e leveza mil.

Lembro de Maria com seu manto azul,
a subir o céu celeste, gentil.

Dizem que o mar é verde, cinza,
mas, para mim, é azul — como a felicidade
de nele militar.

Minha cor predileta, que lembra a alegria
do ser mulher.

Celeste por natureza,
pura por ser princesa.
Mas que história é essa?

Assim, no azul do meu pensamento,
vejo, em cada momento, uma peça
que me faz sentir menina
no aconchego de seu lar anil.

No azul dos meus dias, percebo
que a paz tem cor e sabor —
só não é mel, pois sua cor não é blue.

De azul em azul, sigo adiante,
com um sorriso nos lábios e a certeza
de que tudo está correndo
como sonhei um dia.

Meus dias em azul.


Brincar na chuva


Com a chuva, o tempo fica cinza e uma sensação saudosa se aloja no meu coração. Sinto o vento frio resfriando meu corpo, levando-me a lembranças da infância, quando se podia caminhar sozinho sem medos e não havia celular para impedir as brincadeiras nas ruas com as amigas da vizinhança.

Correr na chuva, chutar as águas que descem rua abaixo ou que se acumulam nas beiras das calçadas, brincar com as gotas d'água caindo nos rostos risonhos. Ah! Buscar uma bica para pular embaixo e depois sair correndo sem destino, para se aquecer, já com a boca roxa, tremendo como fio na ventania.

Imagino a meninada correndo, pulando, saltando de bica em bica, e eu, entre elas, toda molhada, feliz por ser livre, por ser criança outra vez.

Com a brisa se instalando em minhas narinas, o chão frio me convidando para dormir um pouquinho e o vento frio me embalando, entro em um sono e me lembro: hoje quero brincar de morrer, mas morrer de amor por você, meu amor.

Autora: Darlene Maciel

A Cama

🌙 A cama

Autora: Darlene Maciel


Imagino o que elas fazem à cama.
São Marias, pois são mães, em rama
que se ajoelham e pedem pelos seus,
agradecem, choram, suplicam a Deus

E a cama, ao seu lado, como a dizer:

Vem se acalentar em meus lençóis.
Deixa-me te aquecer e fazer tudo esquecer.



Agora, já não “mães”,
são filhas com desejos infantis,
embaladas pela inocência do crescer,
sonhando um amor conhecer.

E nessas buscas, há decepções —
e, no leito, clamam com clarins,
ecoando pelos jardins
seus choros em súplicas
como em uma procissão
de mãos unidas pela oração.

De filhas passam a esposas:
umas felizes com suas escolhas,
outras em suas camas vazias,
dos amores destruídos nas epifanias.



Assim, olho para a cama,
palco de tantos cenários em flama
com casais a se amarem,
embalados pela doçura dos lençóis,
ligam seus faróis
Para velar seus amores.

Lugar de muita paz e comunhão
que nos embalam após cada oração.
E não importa o que esteja passando:
nela vamos ficando, quietas, orando
para nos curar dos dias de muita emoção.


Te desejo uma cama macia e cheiros
que te acomode na paz que se busca,
no amor que se deseja,
na proteção cabida.

Assim seja.
Amém.