segunda-feira, 14 de julho de 2025

A partida

Descanse em Paz

Todos ao seu redor,
A lembrar dos bons momentos,
Das benfeitorias,
Até mesmo das traquinagens.

Enquanto você ali, parado,
Inerte num corpo sem vida.
Já não mais risonho,
Já não mais brincalhão.

Do sorriso franco me lembro,
Do jeito leve de mostrar a vida —
Às vezes sarcástico,
Às vezes só pirraça.

Agora, já não conta histórias...
São os outros que vão contar sobre você.
Mas, para quem tem uma família tão linda,
Não há o que se diga de ruim.

Não vou dizer que preferia
Aqui te ter —
Pois seria negar os dizeres de Deus:
"Porque tu és pó, e ao pó tornarás."

Descanse em paz, caro amigo,
Com quem pouco convivi,
Mas de quem aprendi
Que a família é o centro da vida.

Descanse em paz.

Autora: Darlene Maciel

domingo, 13 de julho de 2025

Meu olhar no teu olhar.


Já tentei de mil maneiras de te falar
Sobre como vejo o teu olhar.

Poesias escrevi, com paixão!
E, em cada poema, me expressei —
Sempre desenhando os olhos apaixonados que via,
E, tenho que confessar: ainda não consegui.

Agora tento, mais uma vez, descrever
O que sinto ao mirar os teus olhos brilhantes.
Olhos puros, com dizeres profundos, constantes,
Com mistérios a serem revelados,
Tão expressivos como o fundo do mar:

Calmo...
De uma mansidão de dar medo!
Medo pela escuridão da profundidade,
Medo de nele se perder, pela amplitude
Deste mar sem fim...
Ou pela correnteza que pode te levar.

Quando, assim, o percebo,
Tuas mãos eu seguro —
Tão forte como uma corrente de aço.

Depois te abraço,
Te sentindo meu.

Volto meus olhos
E fito os teus,
Para ter certeza
De que nem correnteza,

Nem tormenta incerta
Vai mudar o nosso amor,
Espelhado no teu olhar —

Que nasceu maduro, com certeza.
Tão seguro, forte, que nada — só Deus —
Pode mudar o que olhamos juntos:
Meu olhar no teu olhar.

sábado, 5 de julho de 2025

O que te deixa tão inseguro?


O que te deixa tão inseguro?

Se o meu amor a ti asseguro,
Entre palavras, gestos e olhares?

Por que duvidas deste amor?
Se em teus braços me sinto
A mulher mais bela, amada
E desejada?

Por que teus olhos estão zangados?
Se meu sorriso a ti dirijo,
Com agrados a te beijar?

Por que buscas por dúvidas,
Se não desejo outras vidas
Que não esta com você?

Vem, aquieta tua alma,
Aconchega-te ao meu lado,
Sereno e calmo.

Junta teu corpo ao meu
Num laço sem abraço,
Cuja magia flui do entrelaçado
Dos nossos corpos.

Tecendo um som gostoso,
Que só os apaixonados podem ouvir,
Que nos diz que nascemos um para o outro.
E dúvidas não há por que existir.

Autora: Darlene Maciel

Qual o preço da felicidade?


Qual o preço da felicidade?
E quão perto está da infelicidade!
Não tive tempo — nem consegui ver.
É a mais pura verdade.

Me contentava em seguir adiante,
a caminhar na cegueira constante.
Não havia como mudar a semente
plantada no fundo do inconsciente.

O preço pago foi o amor unipessoal:
de mim, comigo mesma,
me agarrando aos farrapos, ao léu.
Será que paguei alto demais?

A resposta está no processo que se deu.
À medida que minha boca calou, meu corpo respondeu.
Foi um movimento imperceptível, prolongado, a me envolver,
até o instante em que se agarra o braço de alguém
com a mesma força da dor que se sente —
e vê-se o terror em seus olhos, somente.

Sim, algo mudou em você.
Sua agressividade é incontrolável.
Há uma guerra — interna e externa — em você,
entre o estar certo e o errado,
entre saber tudo e ser insuportável.

No silêncio da noite, sabia-se o porquê;
no florescer do dia, tudo se escondia.
As lágrimas vinham e iam, sem covardia.
E eu cobria meu rosto com um véu,
que transformava tudo em melodia.


Autora: Darlene Maciel