domingo, 11 de janeiro de 2026

🌿 Quando a Saudade Mora Perto e Longe Do Meu Coração



Hoje, senti saudades dos filhos: dos que moram longe e me culpam por isso, e dos que moram tão perto e longe do coração.

Saudades dos finais de semana em família. Do falatório alto, das risadas de piadas sem graça, do calor do lugar e do ventilador a soprar.

Saudades dos netos que brincavam num espaço pequeno e para quem o quarto da tia era a maior diversão do mundo. Adoravam brincar de esconde-esconde, e eu participava desse momento como criança novamente.

Saudades das conversas — profundas ou amenas. Um falar sem pedir, sem implorar, sem queixas, sem ausências.

Mas creio que entendi errado a frase dos filhos: queriam manter a distância de alguém que só fazia mal a eles, até de mim, que não soube cuidar de uma delas como deveria.

Cheguei a questionar toda a minha vida e a luta por manter um casamento “pela família”. Agora percebo que, pela frase deles, não atingi meu objetivo e sim criei uma ilusão... de quem era cego era eu!

Entendi que não me preparei para este momento — quando finalmente me divorciei. Senti-me, assim, excluída da família. Onde cada um está em seu lugar e, hoje, me pergunto: o que posso fazer para ter esta família unida novamente, mas com personagens diferentes!

Autora: Darlene Maciel




domingo, 4 de janeiro de 2026

Bolo Negado









O bolo que foi rejeitado
era arretado de gostoso.
Todos sentiam o sabor do amor
que nele fora frustrado.

Ano após ano, lhe foi negado
o prazer de perceber o que ali jazia,
feito lápide a dizer palavras mudas,
insólitas, tingidas de nostalgia.

Mesmo assim, o “não”
se fingia não existir.
Os bolos continuaram leais,
belos, cheios de letras garrafais
que o cego não quis ler,
que a surdez negou ouvir:
um grito de amor a sofrer.

A cada ano, tudo se repetia
na esperança de ser compreendido.
Todos ali envolvidos
sentiram que de nada servia.

Após anos, finalmente,
os dedos perderam o sabor
de bater claras sem significado.
Simplesmente bateu asas, com rancor,
e limpou com lenços os olhos
feridos de mágoa.

Autora: Darlene Maciel

Da Janela

 


Da janela vejo tudo acontecer,
desde os carros descarregando,
as pedras infantis sendo lapidadas
no templo do florescer
as habilidades do seu rebento.

Da janela vejo prédios altos
e baixos, com vidas que não conheço;
são gaiolas que aprisionam almas
que acreditam ser livres,
mas estão presas em suas grades
pagas a preço de ouro.

Da janela vejo ao longe o mar,
com suas ondas que se debatem
no colo da praia a encantar.
Daqui, tão pequeninas, parecem
espumas brancas, como nuvens no céu.

Da janela vejo um espigão de pedras
que enfrenta a força das ondas,
fura o mar sem medos a léguas,
só para você admirar as madrás
que por lá desfilam e abundam.

Da janela vejo a alegria de aqui morar,
rodeada de imagens de tanta beleza.
Neste momento, viro o rosto para apreciar
nosso quarto, nossa cama,
onde eu e você vivemos felizes
com tanta riqueza.

Autora: Darlene Maciel