Hoje, senti saudades dos filhos: dos que moram longe e me culpam por isso, e dos que moram tão perto e longe do coração.
Saudades dos finais de semana em família. Do falatório alto, das risadas de piadas sem graça, do calor do lugar e do ventilador a soprar.
Saudades dos netos que brincavam num espaço pequeno e para quem o quarto da tia era a maior diversão do mundo. Adoravam brincar de esconde-esconde, e eu participava desse momento como criança novamente.
Saudades das conversas — profundas ou amenas. Um falar sem pedir, sem implorar, sem queixas, sem ausências.
Mas creio que entendi errado a frase dos filhos: queriam manter a distância de alguém que só fazia mal a eles, até de mim, que não soube cuidar de uma delas como deveria.
Cheguei a questionar toda a minha vida e a luta por manter um casamento “pela família”. Agora percebo que, pela frase deles, não atingi meu objetivo e sim criei uma ilusão... de quem era cego era eu!
Entendi que não me preparei para este momento — quando finalmente me divorciei. Senti-me, assim, excluída da família. Onde cada um está em seu lugar e, hoje, me pergunto: o que posso fazer para ter esta família unida novamente, mas com personagens diferentes!
Autora: Darlene Maciel


