sábado, 16 de maio de 2026

Mãe em Oração



A saudade que no peito trepida
bate forte na alma corroída.
Saudade que se cala num grito,
invadindo o silêncio no infinito.

No desenho de uma dor sem feridas,
sem sangue, sem cor, sem vida,
faz lágrimas jorrarem até o chão,
desejando as palavras não proferidas.

Um sentimento único de mãe,
que vivencia o sim e o não.
Fala palavras que são contrárias,
torna os iguais diferentes várias.
Cala a emoção quando diz:
— Vai com Deus, meu querer, feliz!

Vem aquela vontade de ouvir
a voz, doce melodia, que me faz sorrir:
— Mãe, que saudades de você!

Olha que paradoxo encontrei:
na esperança de não vê-la infeliz,
para longe a mandei.
Para ter saudades de morrer,
vivendo sempre distante.

Uma parede invisível surge,
dividindo a vontade do amar.
Nesta hora em que as lágrimas se vão
e seu choro se cala, dando voz à razão:
— Melhor seu filho distante amando
que te olhar sem emoção.

Há um conforto no desconforto,
um saber que se nega,
uma saudade sem porto,
um querer que não sossega.

Para ela, a felicidade.
Para mim, uma oração:
— Que Deus me dê compreensão
para sarar essa saudade
que queima meu coração.

Autora: Darlene Maciel

quinta-feira, 14 de maio de 2026

Esplendor que cora a face




Quando te vi
enxerguei-te como quadro de grande valor;
esplendor que cora a face,
cega os olhos que te fitam,
saudade que se instala.

Apareces no leste, deitas no oeste,
nos equinócios da primavera e outono.
Se despede do dia,
te afundas, majestosa, no final.

Fogo vermelho,
bola redonda,
a abrasar o mar
que às tuas mãos se entrega.

Bola de fogo a irradiar
o laranja brilhante,
oscilando como ondas
no vermelho, no barro,
camaleão que a todos encanta.

Foi-se todo, lentamente,
afogando-se no horizonte do mar,
brincando de se esconder
na infância da gente.

Agora, no céu desenhado de anil,
o tempo para a pensar: —
para onde foi o brilho sutil?
Foi nascer em outra aurora.

Aurora que nos aquece,
que a pele bronzeia,
que o mar enobrece,
e vai e volta, todo amanhã.

Aqui vamos te aguardar,
Sol que mata nossos medos!

Autora: Darlene Maciel



sábado, 9 de maio de 2026

O Quadro perfeito




Pensamentos cheios de receio do futuro
me fazem desejar que nuvens de pássaros
levem meus delírios consigo,
tirando do peito o colostro do agouro.
Deixando jorrar pétalas de rosas
nas incertezas que conspiram no ar.

Talvez haja o medo na felicidade,
como um fio que se quebra
pelas forças contrárias que os puxam,
as quais nos deixam de testa franzida.
Como o linho sem alguns fios,
que mostra a feiura do abandono.

Largo a vista na dúvida,
fecho os olhos e deixo tudo para trás,
rezo por meus mentores espirituais,
na esperança de que luzes
mostrem os caminhos a trilhar.

Rogo pelos meus anjos por sabedoria,
deixando as nuvens exclamarem por quê!
Para sacudir as interrogações
do medo da felicidade,
mostrando quão belo é renascer todos os dias.

Ser feliz é o nosso quadro perfeito.

Autora: Darlene Maciel

Pelas Mãos se Faz Amor


A chama da paixão incendeia o meu coração.
Calor que dissipa o frio da solidão,
desperta o pulsar que só você sabe fazer acontecer.
Quando o peito acelera e a pele arrepia,

não há como frear o frenesi de te querer.
De apertar meus lábios nos teus,
de sentir o calor dos teus lábios vermelhos,
misturando os sentimentos que nos consomem.

Ao sentir você, meu amado,
meu corpo explode de emoção,
e mesmo com os pulmões cheios de ar,
falta fôlego para tanta paixão.

O dia se veste de azul profundo,
rasga o cinza no vento da solidão.
O dia abre as asas e me leva a flutuar
quando me atiro em teus braços,
que me erguem no mundo da imaginação.

E você, meu amor,
todos os dias preenche meus pulmões de amor,
suga cada gota de orvalho
que meus ais exalam seus cheiros,
me faz sonhar com constelações,
no batuque do teu coração.

Sons agradáveis que me encantam:
o toque de teus dedos,
o acariciar sem medidas,
o tempo em ebulição.

Onde pelas mãos se faz amor,
escrevendo teu nome no meu corpo inteiro.
Assim, o mundo respira agora
em nossos corpos que se buscam e se acham
no silêncio dos sons que se calam.


Autora: Darlene Maciel


domingo, 3 de maio de 2026

O Pulsar de uma Nova Era





No céu vejo uma estrela
brilhante, feito diamante.
E não é cadente, é luz que zela
o pulsar de uma nova era.

Há, nas sombras da noite,
três reis magos, sob o lombo da esperança,
que virá um pequeno
maior que todos nós,
de tanto amor que tem.

De longe, sentem o vento a soprar,
abrindo caminho feito passarela,
seguindo um rastro estrelar
pela luz que os guiará.

Quase não puderam acreditar
que naquela manjedoura,
de palhas secas,
nasceria quem ao mundo veio salvar.
E não adianta desacreditar,
pois provas não irão faltar.

Assim nasceu a esperança
de um mundo lotado de emoções,
num carrossel de mentes delirantes,
que, igual a uma estrela,
irá iluminar a vida de quem crê.

Nasceu o Deus menino!

Autora: Darlene Maciel