segunda-feira, 25 de novembro de 2024

Teu colo


O teu colo me traz doce paz,  
sensação de imensidão sem fim,  
dentro dele repouso fugaz,  
repouso doce do meu querubim.  

Ficar em teus braços me sossega,  
como no sagrado ventre materno,  
refúgio seguro, calor que me é terno,  
morada que me acolhe e me entrega.  

Teu refúgio acalenta minha ansiedade,  
me deixa alegre quando estou triste,  
me envolve num manto de liberdade,  
me faz sorrir quando tudo insiste.  

Colo de amor, de pouso tão seguro,  
de carinho suave e aconchego.  
Amor tão simples, tão puro, e inteiro 
em teus abraços encontro sossego.  

Me aninho em teu corpo, feito cobra,  
a se enroscar, lenta e suavemente,  
para que nada exista entre eu e você,  
só a beleza deste momento que dobra.  

Ah! Teu abrigo, nele me deixo morrer,  
morrer de amor tão doce paradoxo,  
Mas nele sinto uma profunda paz  
que só teu peito amoroso é capaz  
de mostrar a verdade sem alvoroço.  

Do teu ninho jamais quero partir,  
pois sou roseira viva em teu jardim,  
firme, com raízes fortes e fincadas,  
exalando jasmim nas alvoradas.  

Autora: Darlene Maciel

quarta-feira, 20 de novembro de 2024

O passeio de barco na Beira Mar



Éramos sete. Sete vidas em busca de aventura.
Já no píer, a primeira missão se fez: equilibrar-se no corredor para entrar no barco.
Balançava de um lado para o outro, em um sobe e desce de ondinhas.
Nos sentimos como bêbados ao andar.

Entrar na lancha era uma diversão temerosa — o medo de cair no mar ou se machucar, pois a lancha segue o balanço do mar.

A lancha a navegar, e todo o feitiço acontece: lancha avante, a dançar sobre as ondas do mar.
Pingos d'água a nos molhar.
Paisagens do porto e seus grandes navios.
Como é linda a Beira-Mar!

Pássaros voam a nos encantar, bicam a água para se alimentar.
Arremessam-se para o céu, a embelezar.

De longe, admirados, vemos a cidade a se afastar.
O mar, um pouco agitado, com ondas a nos balançar.
Como é bela a Beira-Mar!

Alguns afirmavam que, às vezes, os golfinhos acompanhavam os barcos — mas golfinhos não vimos.
No entanto, a felicidade, sim, era visível: no falar e no olhar!
Quantos risos e gritarias — alegria linda de se ver.

Enquanto o sol não se põe, uma pausa para mergulhar.
Quem seria o primeiro a entrar neste mar?
E não é que não afunda? Boiar é mais do que certo.
Uns se aventuram, outros não — mas a sensação de liberdade nos deixa extasiados.

Agora, a pausa para o pôr do sol se contemplar.
Ao longe, vemos as cores do pôr do sol — de amarelo para laranja — que nos encantam e não cansam.
Como é lindo o pôr do sol neste lugar encantador!

Mil fotos foram tiradas para que nada se perca, já que a memória pode falhar.
Em um troca-troca de lugares, para mil poses encantar.
Registrar cada momento com aqueles que se amam, sem nada se importar — mas sorriso não pode faltar.

E olha que surpresa! A lua veio linda, grande, ainda tímida pelo entardecer, mas já nos enfeitiça com sua imensa beleza.
Lua cheia de azul claro. Afinal, ainda era dia.
Estava ali, na sua timidez, esperando o momento de tornar mais memorável este instante.
Lua cheia de amor, a encantar cada um que para ela olhar.

Assim foi o nosso dia: a admirar o que é belo.
A brincar de navegador.
A sonhar em ser maior que a lua — mas nunca menor que o sol.
Como é linda a Beira-Mar!

Autora: Darlene Maciel





terça-feira, 19 de novembro de 2024

Você me olha...


Você me olha
Com seus olhos de amor,
Já não vê meus desencantos,
Só a beleza do Ser Mulher.

Mulher com suas questões,
Estas do tipo: Quem sou?
Por que me amas assim?
Como fazer o teu amor crescer?

Mas nem precisa, pois te cativo
Com minha beleza interior,
Aquela que só quem ama pode ver.

Teus olhos me seguem até mesmo à distância.
Mas sou eu quem te digo cada passo que dou,
Só para teu olhar ganhar.

Sentir tua boca na minha me deixa envaidecida, meu amor.
A cada cheiro, um beijo; a cada beijo, um abraço;
E depois, um sorriso com mais enlace.

Tuas mãos seguram as minhas,
A medir suas dimensões.
Pequenas mãos que te encantam
E, na tua, elas cabem.
Minha mão na tua segue divertida,
Exalando o amor que aqui há.

Os braços que envolvem minha cintura —
Cinturinha, como tu chamas.
Que coisa mais mimosa, tuas mãos na minha cintura.

Ah, os pés! Brincando, um encosta no outro,
Num traçado de brincadeira.
Roçam-se, fazendo as pernas já se enlaçarem,
Como um nó de marinheiro.

Eu, tua mulher, me pergunto:
Como pode tanto amor?
Que nos deixa enfeitiçados,
Como crianças a brincar,
Bordando o céu numa flor.

Autora: Darlene Maciel


sexta-feira, 15 de novembro de 2024

A felicidade traz dúvidas.



A felicidade traz dúvidas
Autora: Darlene Maciel

A felicidade traz dúvidas.
Sabe aquela pergunta: agora é para valer? E se algo não acontecer?

A felicidade traz questionamentos sobre si e sobre o outro:
Sei amar? O que é o amor? Sou amada? E se for ilusão, apenas paixão?

Sim, a felicidade traz dúvidas,
mas não deixe de ser feliz pelo medo, pelas angústias.
Acredite: você merece. Que tudo é para você.
Que nada te impede de ser feliz, a não ser você mesma.

Seja parte da sua felicidade.
Não seja espectadora.
Não fique nos bastidores, só assistindo.

E com você?
Com você, sou feliz.
Foi quem me mostrou o lado antes obscuro, longe de ser alcançado.
Com você, sou amada, como algo alçado.

Sinto o sabor do viver.
Viver sem rodeios, sem medos, sem dúvidas.
Sinto o doce de viver cada instante feliz ao seu lado.


Cadê você?


Cadê você?
Onde andas?
Está a pensar em mim?
Quanta ânsia em te ver...

Cadê você que não está aqui?
Que não me beija agora!
Que não me abraça tão forte,
Como um nó de aurora!
Que notável saudade de outrora!

Cadê você?
Que não acordou ao meu lado,
Que não me enlaçou com seus braços fortes!
Que não me beija na boca sem se importar com nada...

Cadê você?
Que não me leva ao trabalho?
Que não brinca com meu celular,
Desligando para me olhar?
Que não segura a minha mão?

Cadê você?
Já não aguento de tantas saudades.
Volta logo, estou aqui a te esperar,
Com ânsia no olhar...
Vem, vem me amar.

terça-feira, 5 de novembro de 2024

O que?

O que nos define?
Serão nossos desejos?
Ou apenas meros marejos de um anseio?

O que nos motiva?
A vida que desejamos
Ou a que desenhamos
No rabisco do desejo
Não realizado?

O que nos alegra?
Os atos hilários da hipocrisia
Ou o pensar
Sem lógica a haver?

O que nos atormenta?
Os nossos anseios não concluídos
Ou a mão dos excluídos?

O que nos orienta?
A linha do infinito
Ou a finitude do adivinhar/arriscar?

O que nos define,
nos motiva,
nos alegra e atormenta,
nos orienta —
é também o que nos transforma.

No fim,
somos moldados
pela definição,
pela motivação,
pela alegria,
pela dor,
pela busca,
e pelo esquecimento.

Autora: Darlene Maciel


Dia maravilhoso


O dia foi assim: maravilhoso.

Ensolarado, com brisa suave, convidando para ver o arco-íris logo ali. E, orgulhosos, contemplamos os laços consagrados do amor jurado.

Vemo-nos da mesma forma: lindos, com a vestimenta mais bonita, em corpos já envelhecidos — mas belos e elegantes como a rosa que busca dar vibração ao jardim cansado.

Olhos nos olhos, mãos entrelaçadas, beijos na boca, juras de amor. Que noite linda!

Música atemporal, bar cheio, risos e conversas altas. Um bom bate-papo. Tempos relembrados, risadas e choros, lembranças revividas.

Ao final, nada melhor que o fim da noite: o “até mais”, o beijo na boca e o “eu te amo”. Abraçados, deitados, agarradinhos — e um “boa noite”.



Ela, minha mãezinha


Ela, minha mãezinha, ontem "senhora", hoje "criança"  

que adora repetir suas histórias favoritas,  

aquelas que marcaram sua jornada.  

E, contando tantas vezes, ouvimos com emoção  

suas emoções, pois também já ouvimos esta.


Como as crianças que se alimentam com as mãos  

e tudo bagunçam, assim ela faz.  

Com carinho, juntamos as migalhas  

que se espalham pelo chão.  

Isso me fez lembrar da minha neta Camila,  

dando suas primeiras colheradas.


Como criança, fala o que sente sem filtros.  

O que nos lembra?  

A inocência dos anjos que nascem  

e balbuciam tudo ao ouvir.  

Seu nome? Teimosia!  

E é sempre a mesma criança teimosa  

em querer tudo saber! Isso me lembra minha neta Sarah,  

que desde nova tudo questionava e hoje tudo sabe.


Ficar parada não sabe, está sempre em busca do que fazer:  

ora costurando, ora tricotando, às vezes até lendo.  

Quando muito cansada, tira uma soneca,  

mas com a TV ligada; afinal, está sempre antenada.  

De quem me lembro? Lucas, meu rapaz. Risonho, sapeca.


Gosta de novidades, mas às vezes se encolhe em pensamentos.  

Assim, vejo o Isaac.  


Como não entender o que hoje você está passando?  

Afinal, amanhã seremos nós.  

Nosso desejo é que nossos filhos  

tentem nos entender como nós estamos tentando.


Ah, mãezinha!  

Queria que a paciência fosse  

minha ferramenta para lidar contigo,  

e peço perdão se às vezes  

não consigo te entender.  

Antigamente, você era ocupadíssima,  

e hoje sou eu!


Te amo, mamãe.