domingo, 24 de agosto de 2025

Teu ciúmes


Teus ciúmes me incomodam,

Deixam-me como uma roupa,
Sem moda, apática ao tempo,
Que vai ao relento,
Feita roda.

Teus ciúmes me apavoram.
Não vês que sou tua devota?
É mais uma derrota!

Teus ciúmes me causam dúvidas:
Se hoje ou noutras vidas
Tu foste infiel...
Só os infiéis têm ciúmes
Desmedidos, ilógicos.

Teus ciúmes, às vezes, me envaidecem.
Me tornam desejável, amada.
Mas logo vem a pergunta:

– Será na medida certa?
Se sim, vamos viver o sonho, por certo.
Se não, como reinventar a vida encantada?

Talvez com um amor mais comedido,
Um abraço justo, bem ajustado,
Sem espaço para uma vida
De receios e tantos medos.

E assim o ciúme desaparece,
Quase como uma prece.

Autora: Darlene Maciel




domingo, 17 de agosto de 2025

Me ajude a entender


Me Ajude a Entender

Autora: Darlene Maciel

Me ajude a entender:
Por que desenhar no corpo
riscos que não dizem nada?
Parecem um jardim de tintas,
mas acompanham uma geração.

Sinto algo estranho
ao ver as cicatrizes
que marcam pedaços teus.
Daí, sem me avisar,
se instala no meu pensar:

Que dor doída é essa?
Dor do não entender
esse teu grito silencioso,
que rasga o meu peito
num grito furioso.

Já não se sabe por quê
as lágrimas escorrem
pelo rosto ao chão,
por não crer nessa ponte
quebrada entre gerações...
E o pensamento vai longe,
para onde os olhos não veem.

Dói — as frases ditas sem pensar.
Dói — cada desenho feito na pele tão jovem.
Que necessidade é essa
de chamar tanta atenção?
Assim segue meu coração
em desalinho crescente...

E as lágrimas aumentam,
pois nada se pode fazer.
Crê ser independente,
que desenhos, às vezes belos,
podem má impressão causar.
Nem imagina o quão dependente
se é do outro — e o outro
pode não te aceitar.

Que erros aconteceram?
Onde foi parar o amor?
Só as lágrimas limpam
as dúvidas do coração
de uma mãe que só
pode olhar... e calar.


sábado, 16 de agosto de 2025

Teu amor sereno


Sereno é teu amor
A mostrar a vida
Num ritmo manso,
Lindo, cheio de cores.

Onde o canto do pássaro
Ressoa em todos os caminhos,
Nos ajudando a perceber
Que juntos tudo é bonito,
Tudo faz sentido.

Teu olhar tem linhas
Onde escrevo as aventuras
De estar contigo:
Aventura sem par.

E ouço a música vibrante
A nos acompanhar
Neste caminhar edificante.

Teus braços tecem linhas
Que se enroscam firmes
Em todo o meu corpo,
Para não faltar um fio
Sem a força do teu abraço.

Teus pés, tão firmes no chão,
São raízes a sustentar
Este amor que foi regado
Pelas águas dos nossos corpos
A transpirar de amor.

E neste ritmo lento,
Busca-se viver,
De forma intensa,
Esse amor divino.

Como o rio que navega,
Ora lentamente,
Ora vorazmente,
Até o mar alcançar.
E de lá, se tornar
Uma imensidão sem fim.

Autora: Darlene Maciel



sexta-feira, 15 de agosto de 2025

Meu presente


Um dia pedi a Deus: – O amor conhecer.
E, rápido, em prece contei o que queria
desse amor sem adeus, sem jamais se perder.

Alguém que me amasse sem passados,
capaz de respeitar meu corpo maduro,
curtido pelo tempo e seus cuidados,
com marcas de momentos mais que sagrados.

Alguém que desejasse ser amado e amar,
na mesma intensidade que a luz tem,
cujo clarão ilumina os escuros a gritar,
e que a vida insiste em nos fazer refém.

Alguém tão experiente quanto eu,
com traços lapidados pelas eras,
e cuja história brilhe além da minha,
mais rica que um simples cordel sincero.

Alguém cujo coração não tem amargura,
sem espaço para dor ou fissura,
que ame viver em plena aventura,
e encontre na alegria a ternura.

Alguém, assim, tão certo como você,
que chegou de surpresa em minha vida,
se encaixou no pedido que fiz a Deus,
sem pedir licença, se fez merecer,
e tomou conta de todo o meu ser.

Eu vejo-o como um grato presente
que Deus me concedeu em santa benção,
pois só queria o amor conhecer
e nele me envolver em emoção.

Espero que dure para sempre,
assim como o sol que insiste em nascer,
nossos dias sejam sempre de amor,
como o rio que namora com o mar,
e que mantenha a todos satisfeitos,
pois sem a água não vamos viver.

Autora: Darlene Maciel

terça-feira, 12 de agosto de 2025

Bom dia, meu amor


Bom dia, meu amor

O dia começa com um... — Bom dia, meu amor!
Nada melhor para matar o jejum matutino
que ver o teu sorriso — encantador e divino,
que mata a fome e traça o destino.

Depois, mergulhar em teus olhos sedentos,
querendo, num longo beijo, nos atar,
como laços que nos entrelaçam,
assim queremos ficar.

Entre roçados de pernas,
num deslizar lento, gostoso, da imaginação,
sinto o abraço que acende e faz tremer
todo o meu corpo — como chama em explosão!

A cama, nossa amiga,
não quer nos libertar.
Nos convida a dançar,
a flutuar como o vento a soprar.

Quando todo o corpo transpira,
joga para fora o calor da emoção
que nasce do nosso querer.
Ficamos quietos, quase em oração,
num arfar gostoso de ouvir.
Assim, o dia inicia.

Mas a vida tem seus afazeres,
cada um no seu lugar,
como os ponteiros que correm sem parar,
na ânsia de logo se encontrar,
para, mais uma vez, juntos ficar.

Na noite que se inicia,
queremos na cama deitar,
nossa cúmplice mais fiel,
guardiã dos nossos segredos,
sempre disposta a nos abrigar.

E nosso dia termina com um: — Boa noite, meu amor!

Daí, já não há mais nada a fazer,
a não ser esperar o dia amanhecer...
Para dizer: — Bom dia, meu amor.
E recomeçar o ciclo infinito
do abraço que nos envolve — e nunca termina.

Autora: Darlene Maciel