A saudade que no peito trepida
bate forte na alma corroída.
Saudade que se cala num grito,
invadindo o silêncio no infinito.
No desenho de uma dor sem feridas,
sem sangue, sem cor, sem vida,
faz lágrimas jorrarem até o chão,
desejando as palavras não proferidas.
Um sentimento único de mãe,
que vivencia o sim e o não.
Fala palavras que são contrárias,
torna os iguais diferentes várias.
Cala a emoção quando diz:
— Vai com Deus, meu querer, feliz!
Vem aquela vontade de ouvir
a voz, doce melodia, que me faz sorrir:
— Mãe, que saudades de você!
Olha que paradoxo encontrei:
na esperança de não vê-la infeliz,
para longe a mandei.
Para ter saudades de morrer,
vivendo sempre distante.
Uma parede invisível surge,
dividindo a vontade do amar.
Nesta hora em que as lágrimas se vão
e seu choro se cala, dando voz à razão:
— Melhor seu filho distante amando
que te olhar sem emoção.
Há um conforto no desconforto,
um saber que se nega,
uma saudade sem porto,
um querer que não sossega.
Para ela, a felicidade.
Para mim, uma oração:
— Que Deus me dê compreensão
para sarar essa saudade
que queima meu coração.
Autora: Darlene Maciel












