O bolo que foi rejeitado
era arretado de gostoso.
Todos sentiam o sabor do amor
que nele fora frustrado.
Ano após ano, lhe foi negado
o prazer de perceber o que ali jazia,
feito lápide a dizer palavras mudas,
insólitas, tingidas de nostalgia.
Mesmo assim, o “não”
se fingia não existir.
Os bolos continuaram leais,
belos, cheios de letras garrafais
que o cego não quis ler,
que a surdez negou ouvir:
um grito de amor a sofrer.
A cada ano, tudo se repetia
na esperança de ser compreendido.
Todos ali envolvidos
sentiram que de nada servia.
Após anos, finalmente,
os dedos perderam o sabor
de bater claras sem significado.
Simplesmente bateu asas, com rancor,
e limpou com lenços os olhos
feridos de mágoa.
Autora: Darlene Maciel

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