sábado, 5 de julho de 2025

Qual o preço da felicidade?


Qual o preço da felicidade?
E quão perto está da infelicidade!
Não tive tempo — nem consegui ver.
É a mais pura verdade.

Me contentava em seguir adiante,
a caminhar na cegueira constante.
Não havia como mudar a semente
plantada no fundo do inconsciente.

O preço pago foi o amor unipessoal:
de mim, comigo mesma,
me agarrando aos farrapos, ao léu.
Será que paguei alto demais?

A resposta está no processo que se deu.
À medida que minha boca calou, meu corpo respondeu.
Foi um movimento imperceptível, prolongado, a me envolver,
até o instante em que se agarra o braço de alguém
com a mesma força da dor que se sente —
e vê-se o terror em seus olhos, somente.

Sim, algo mudou em você.
Sua agressividade é incontrolável.
Há uma guerra — interna e externa — em você,
entre o estar certo e o errado,
entre saber tudo e ser insuportável.

No silêncio da noite, sabia-se o porquê;
no florescer do dia, tudo se escondia.
As lágrimas vinham e iam, sem covardia.
E eu cobria meu rosto com um véu,
que transformava tudo em melodia.


Autora: Darlene Maciel

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