sábado, 18 de outubro de 2025

O Peso de Ser, o Amor de Ser



Nada há a fazer, a não ser te apoiar.
Não, não consigo entender,
Mas sim, eu te apoio,
E não deixo ninguém te ofender.

Vem à mente o preconceito,
O sentido de quem antes, mulher,
Hoje é um lindo rapaz.

Não há como apagar o nascimento,
As lembranças da menina
Que só queria brincar
Com brinquedos de meninos.

Sim, cedo deu seus sinais.

Tentando melhor entender,
Respostas fui buscar:
— Na creche, só tinhas meninos;
— Se parece com a avó,
Que adorava brincar com os meninos da rua,
Que soltava papagaio e com os irmãos brincava.
Mas diziam: “É menina, não pode!”
— Deve ter convivido muito com seus coleguinhas,
Por isso quer ser o Homem-Aranha!

Agora, já rapaz, lindo e inteligente,
Sofre consigo mesmo
Todas as dúvidas da adolescência.
E carrega em seu peito mais uma:
—  Será que irão me aceitar?

Já irá se formar.
E como será?
Na hora das fotos da infância?
Morrerá a menina que um dia existiu?
Assim como as fotos com os pais e avós?
Será como olhar para um espelho quebrado.

Mesmo que doa como espinho na alma,
Nunca vou te criticar.
E, com sangue e força,
Sei que vou para sempre te amar.

Autora: Darlene Maciel

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