Nada há a fazer, a não ser te apoiar.
Não, não consigo entender,
Mas sim, eu te apoio,
E não deixo ninguém te ofender.
Vem à mente o preconceito,
O sentido de quem antes, mulher,
Hoje é um lindo rapaz.
Não há como apagar o nascimento,
As lembranças da menina
Que só queria brincar
Com brinquedos de meninos.
Sim, cedo deu seus sinais.
Tentando melhor entender,
Respostas fui buscar:
— Na creche, só tinhas meninos;
— Se parece com a avó,
Que adorava brincar com os meninos da rua,
Que soltava papagaio e com os irmãos brincava.
Mas diziam: “É menina, não pode!”
— Deve ter convivido muito com seus coleguinhas,
Por isso quer ser o Homem-Aranha!
Agora, já rapaz, lindo e inteligente,
Sofre consigo mesmo
Todas as dúvidas da adolescência.
E carrega em seu peito mais uma:
— Será que irão me aceitar?
Já irá se formar.
E como será?
Na hora das fotos da infância?
Morrerá a menina que um dia existiu?
Assim como as fotos com os pais e avós?
Será como olhar para um espelho quebrado.
Mesmo que doa como espinho na alma,
Nunca vou te criticar.
E, com sangue e força,
Sei que vou para sempre te amar.
Autora: Darlene Maciel

Nenhum comentário:
Postar um comentário