domingo, 21 de dezembro de 2025

Espelho de Mulher Nordestina



Sim, sou de beleza típica do povo
cearense, com força no olhar,
sem limites a alcançar.
De humor, onde da desgraça
sabe tirar risos sem limites.

Assim como as sertanejas,
cuja beleza está na caricatura do rosto
marcado pelo sol que arde feito brasa,
que usam chapéu de palha nas labutas da roça.

Com braços magros e fortes,
pernas e pés calejados
pelo terreno árido do sertão.
Onde a foice e o arado são adornos
que brincam de furar o chão.

Têm olhos miúdos, tristes e esperançosos
por dias onde a chuva não vem.
Mas, se der “bom dia”, os olhos
saltam de emoção.

Mulheres de sabedoria popular
predizem o futuro só olhando a terra,
onde a escassez é abundante,
tal qual a fome que se vê nos olhos
de filhos magros e barriga inchada.

São verdadeiras fortalezas dos seus,
nada tira a fé em Deus e por tempos melhores.
Têm o sorriso genuíno de quem
não perde a esperança, quase infantil.

E, neste espelho, me vejo também.
Aqui me identifico, onde a família
é altar de oração, motivo de muita
emoção.

Se sou fortaleza, não sei,
me perco nas vezes que
caio ao chão de joelhos
a pedir luz nas decisões
e perdão pelos erros.

E, como boa nordestina, carrego no sorriso
a esperança de água do sertão!

Autora: Darlene Maciel


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