domingo, 3 de maio de 2026

O Pulsar de uma Nova Era





No céu vejo uma estrela
brilhante, feito diamante.
E não é cadente, é luz que zela
o pulsar de uma nova era.

Há, nas sombras da noite,
três reis magos, sob o lombo da esperança,
que virá um pequeno
maior que todos nós,
de tanto amor que tem.

De longe, sentem o vento a soprar,
abrindo caminho feito passarela,
seguindo um rastro estrelar
pela luz que os guiará.

Quase não puderam acreditar
que naquela manjedoura,
de palhas secas,
nasceria quem ao mundo veio salvar.
E não adianta desacreditar,
pois provas não irão faltar.

Assim nasceu a esperança
de um mundo lotado de emoções,
num carrossel de mentes delirantes,
que, igual a uma estrela,
irá iluminar a vida de quem crê.

Nasceu o Deus menino!

Autora: Darlene Maciel


segunda-feira, 13 de abril de 2026

Ciranda da Razão com o Coração




A roda da dúvida gira sem cessar,
fazendo a mola rodopiar, a rodar,
de mãos dadas para não quebrar.

Quebra pela matemática
que não fecha, só enrola.
Parece uma roda de linhas elásticas,
fechando-se num círculo, feito bola.

Que é flexo, é numeral,
uma soma que multiplica,
e quando divide não cobre
nem o reflexo,
imagine a conta!

Os números nos mostram
que tudo é matemática,
que seja pela razão
ou pelo coração.

A razão te manda ir em frente,
seguir sem olhar para trás, nunca mais.
O coração te mostra todas as emoções
que a razão esconde. Mente.

E no meio da dúvida que floresce
surge o brincar de margarida,
onde as pedras não fazem falta.
Mas faz falta a razão
não encantar a margarida.

Se encantar a margarida, vai florir a tua vida,
com cravos de jó — é um remédio só.
Tudo é uma ciranda da razão com o coração.
E não adianta: só vale a canção.

Autora: Darlene

Caminhar



Caminhar para pensar,
e acalmar a alma em vulcão:
dos sentimentos feito borbulhão.

Caminhar para parar o tempo
que não voou do avião,
que não pousou sobrevoando o vulcão.

Caminhar para alcançar as palavras
que se atiraram às flechas
no coração em sangue a jorrar.

Caminhar para jogar fora
tudo que o pensar quis calar
na boca muda de prosa.

Caminhar para afugentar pensamentos
livres de podridão.
O que não foi dito não faz sentido.

Caminhar para moldar o pensamento
que calou as palavras ditas ao vento.
O vulcão que não jorrou lavas
cheias de comoção, mas incendiou as palavras.

Caminhar…

Autora: Darlene Maciel

sexta-feira, 10 de abril de 2026

O Sabor das Lembranças



O almoço ao meio-dia
tem gosto de alegria,
pelas risadas e conversas a mil,
dos seus netos, ao almoçar consigo.

Com leveza, pomos amor
em cada tempero na refeição.
O caldo corre pelo macarrão,
dando cor ao sabor da vida.

Um doce aroma sobe pelas narinas,
relembra seus dias de infância.
Dos dias dos teimosos,
na gula da criançada,
com olhos gulosos,
a devorar a comida da vovó.

Assim é a carência de vó.
De juntar seus ninhos
nas árvores da vida, sem espinhos.
Orando pelos seus filhos e netos,
na esperança de que o futuro
dela não se esqueçam.

São a continuidade de sua existência,
cada uma quer deixar suas lembranças afetivas.
Assim como sua própria experiência,
neta que também foi festiva.

Já se imagina a ser lembrada
pelas travessuras da vovó,
do esconde-esconde a se mostrar,
só para um sorriso ganhar.
Ou ouvir dizer: — Que delícia de almoço, vovó!

Autora: Darlene Maciel

domingo, 5 de abril de 2026

A Boca que Me Chama

 


Teus lábios são vermelhos como a maçã. Doce como o mel mais nobre da colmeia.

Quando meus lábios falam com os teus, ouço sinos a tocar, chamando: — vem amar!

Quando tu falas, fico muda pelo encanto da visão hipnotizada dos movimentos labiais a produzir sons inaudíveis.

Da tua boca encarnada, bem desenhada, como linhas retas de um grande desenhista, conta a história do meu querer.

Boca que toca na minha com a suavidade das plumas de algodão, e da volúpia da fome de então.

Boca que exala o cheiro avassalador do desejo que não se esconde.

Beijá-la me faz pensar no gosto que escorre na pele eriçada.

Boca que me diz: — Vem, minha aprendiz, deixa eu te ensinar a sonhar de olhos abertos.

Vem ser feliz, ... tua boca.

Autora: Darlene Maciel

sábado, 4 de abril de 2026

Liberdade de Mim


Olhei pela janela, pensei:
— Me sinto como uma prisioneira,
que, do alto de seu castelo,
a princesa não pode descer.

Então, a porta abri
para fazer o que pensava
e nunca ousava.
Como se houvesse uma grande
barreira invisível e intransponível.

São dois quarteirões,
da janela que eu olhava,
para o mar alcançar
e nele me soltar,
destemida das amarras que só eu via.

Em passos firmes segui,
levei comigo o meu amor.
Juntos, de mãos dadas,
nas águas do mar conversar,
mergulhar e sorrir.

Conversas bobas, agradáveis de ouvir.
Entre mergulhos, nos abraçamos,
como a erva daninha
num abraço sem fim..

Mar de águas mornas,
de maré baixa,
quase sem ondas,
a deslizar pelos caminhos
traçados no ar.

Ar de iodo, de brisa leve,
de liberdade,
pois a porta escancarou
meu desejo de ser
...sem correntes.

Livre de mim mesma,
que cria grades imaginárias,
limites que não existiam.
Pernas com medo de seguir
e assumir o amor de mãos dadas.

Autora: Darlene Maciel



O Mundo Que Cabe na Janela



Da janela, vejo a vida acontecer.
O colégio ansiando por seus alunos,
carros enfileirados, a seus filhos deixar,
buzinas impacientes de quem não quer esperar.

Fito no futuro das crianças,
crescendo e florescendo suas habilidades.
Dali sairão médicos, engenheiros, advogados —
um mundo à disposição deles.

Da janela, o mundo respira pelos prédios,
altos, baixos, com seus moradores
num movimento de vai e vem nos arredores.
Muitas vezes me pego a pensar:
— Quem mora lá?

Da janela vejo o mar.
Ao longe, suas ondas,
tão pequeninas,
que só parecem espumas,
feito bolinhas coloridas
que explodem sem querer.

Da janela do meu quarto
vejo o prazer de aqui morar,
rodeada de tanta beleza.
Quando viro o rosto
e olho nosso quarto, aconchegante
e como o abraço do prazer,
aí vejo eu e você,
felizes com tanta leveza.

Autora: Darlene Maciel


O Sol Que Se Despede



O sol estava se preparando para, em outro lugar, raiar,
já que a noite queria entrar.
Até as águas do mar pareciam saber,
pois não havia tantas ondas a se enrolar,
e, aos poucos, foi amansando,
feito bruto a brigar.

E eu, a contemplar
a beleza de um novo luar,
vejo o sol, imenso, alaranjado,
com clicks a gravar
cada momento
do céu a se esconder.

Neste cenário tão bonito,
vozes murmurantes diziam,
ao som de uma melodia,
que tudo devia parar.
Mas a vida pede movimento,
e o sol do amanhã irá raiar.

Neste clima mais que romântico,
seguro a mão do meu amor,
com todo o cuidado de uma flor,
e, na dureza do aço carbono,
sua mão jamais vou soltar.

Autora: Darlene Maciel






A Menina e a Noiva



Quiçá crença tem, é pura nóia, mas,
para minha surpresa: o vestido é de noiva:
branco, de cauda longa, na leveza de sua beleza.

Uma lágrima vai lentamente passeando,
arrastando memórias
de uma linda criança,
chamada de anjo, que chorava em rios de pranto,
pois nasceu intensa —
por natureza.

A cada lágrima que desce dos olhos felizes,
surge a lembrança da infância,
dos abraços enrolados
que nem um nó no poste,
só para a aula faltar.

Linda na festa do ABC,
vestida de princesa, surge risonha,
com o sorriso maroto,
o dente a faltar
e olhos grandes a sorrir.

O tempo escorre entre lembranças
da juventude do “tudo saber”,
quando, numa festa junina,
saltitante de intensidade,
mais linda matutinha não havia —
a princesa do sertão.

Agora mulher, seu par encontrou —
um menino grandão,
que fez seu sorriso ser tão abundante
quanto as lágrimas infantis
que tudo queriam.

Eis você, aqui e agora você,
vestida de noiva,
com um sorriso nos lábios,
pronta para o mundo gritar
o seu amor
pelo príncipe que encontrou
e a encantou.

Autora: Darlene Maciel


domingo, 8 de março de 2026

O Bom da Vida



O bom da vida é ser diferente,
como o preto e o branco presente,
sol e chuva tão frequente;
de repente, me vi ausente.

O bom da vida
é nascer todos os dias,
borboletas sofrendo no casulo,
com dores que sangram escondidas.

O bom da vida
é poder, todo dia, se reinventar,
flores voltando a ser sementes
para suportar a calada sofrida.

O bom da vida
é acordar e ver o dia,
num repente voltar ao casulo,
onde nada fica eloquente.

O bom da vida
é te amar todas as manhãs,
como a abelha que, de flor em flor,
deixa a vida mais doce com amor.

O bom da vida
é te ter sempre ao meu lado,
colado em mim, meu ser amado,
que nem trovão pode separar.

O bom da vida
é olhar para você, sereno,
e saber que o amor eterno
aqui tem vida fluida,
num rio corrente de felicidade.

Autora: Darlene Maciel


A Maquina e a Bruxa


Dizem que toda mulher tem seu lado espiritual desenvolvido. Uns chamam de sensitiva; outros, de forma mais malévola, de bruxa. O fato é que sempre me senti mística, e lembrar de cada momento me deixou assim: saudosa.

Há quem afirme que já fui uma sacerdotisa de grande beleza e poder, capaz de decidir, sob minha ótica, quem poderia viver ou morrer. Eu me chamo bruxa, mas sem o poder de uma. Como bruxa, sou protegida de tudo; como benévola, tudo protejo; e, como perceptiva, não traduzo o que sinto e vejo.

Na adolescência e na fase adulta, toda essa espiritualidade se evidenciava por meio dos sonhos, nos quais a representação era sempre a vida, o nascer, o bebê.

Sim, salvei vidas, evitei mortes. Presenciei despedidas, senti medos e preferi não mais saber. Não desenvolver o que eu não podia — ou não posso — controlar. E hoje, saudosa, acredito que a vida mal vivida me excluiu desse dom. Hoje, são apenas sonhos.

De conversa em conversa, percebo que a bruxaria continua a existir por meio de máquinas que agem como humanos. Surge o medo real do futuro e das relações com os robôs. Já imaginou isso na época medieval? Conhecida como “Era das Trevas”, certamente veria a tecnologia como uma versão da bruxaria — o poder das mulheres e dos magos.

Hoje, o que se pensa se torna realidade. Nos filmes da infância, como Os Jetsons, víamos carros voadores, casas suspensas no céu, robôs domésticos. Pelos olhos medievais, tudo isso seria pura magia, condenada pela Igreja. Agora, vivemos com protótipos de carros voadores; há robôs servindo como garçons; videoconferências; e a comunicação não conhece distância. Além disso, existe a inteligência artificial.

Sim, tenho medo da inteligência artificial, que aprende com o que se questiona e se alimenta do conhecimento profundo de tudo. Assusta o poder do alto conhecimento numa máquina sem sentimentos. E até onde vamos chegar com os drones, que já são usados em guerras, quando antes eram apenas brinquedos que se tornaram ferramentas de trabalho para fotógrafos?

Há medo da destruição em massa pelos homens de poder, cujo defeito é a falta de índole. Homens carentes de memória, cuja capacidade acumulativa de saberes se perde em momentos de tensão e estresse do dia atribulado, no mundo das redes sociais. Uma teia semelhante à da aranha, cujo objetivo é prender sua presa — e nela estamos presos, por fios de energia interligados a tantos outros invisíveis ao olho nu.

Afinal, quem é a bruxa: eu ou quem criou a máquina que tudo faz?

Autora: Darlene Maciel

Pliês da Infância


Ao som do piano, em notas sonoras,
lembro da infância de outrora,
onde crianças brincavam na ponta dos pés,
num gesto infantil de quem queria bailar.

Tempos em que pliê e o contra‑pliê
eram tentativas de brincar de bailarina,
que desejava, no palco da rua,
dançar igual a uma colombina,
e na rua todos gritavam “ié!”.

Me lembro da menina de braços arqueados,
segurando, na ponta dos dedos, uma carnaúba,
dando elegância às mãos infantis,
no subir e descer dos braços,
em um gesto que a alma entoa,
beleza dos braços a flutuar.

E assim, no embalo da infância,
o rodopiar imitava o vento a girar,
com a força que só a natureza é capaz de captar.
Num contra‑pliê, a menina
se via uma gazela a se arquear,
seus braços feitos asas a bater,
para seu público encantar.

E eu, nas minhas lembranças,
me vi nesta menina.
Lembranças da juventude,
da menina que hoje é mulher,
ainda escuta o piano a tocar.

Autora: Darlene Maciel


domingo, 11 de janeiro de 2026

🌿 Quando a Saudade Mora Perto e Longe Do Meu Coração



Hoje, senti saudades dos filhos: dos que moram longe e me culpam por isso, e dos que moram tão perto e longe do coração.

Saudades dos finais de semana em família. Do falatório alto, das risadas de piadas sem graça, do calor do lugar e do ventilador a soprar.

Saudades dos netos que brincavam num espaço pequeno e para quem o quarto da tia era a maior diversão do mundo. Adoravam brincar de esconde-esconde, e eu participava desse momento como criança novamente.

Saudades das conversas — profundas ou amenas. Um falar sem pedir, sem implorar, sem queixas, sem ausências.

Mas creio que entendi errado a frase dos filhos: queriam manter a distância de alguém que só fazia mal a eles, até de mim, que não soube cuidar de uma delas como deveria.

Cheguei a questionar toda a minha vida e a luta por manter um casamento “pela família”. Agora percebo que, pela frase deles, não atingi meu objetivo e sim criei uma ilusão... de quem era cego era eu!

Entendi que não me preparei para este momento — quando finalmente me divorciei. Senti-me, assim, excluída da família. Onde cada um está em seu lugar e, hoje, me pergunto: o que posso fazer para ter esta família unida novamente, mas com personagens diferentes!

Autora: Darlene Maciel