Ao som do piano, em notas sonoras,
lembro da infância de outrora,
onde crianças brincavam na ponta dos pés,
num gesto infantil de quem queria bailar.
Tempos em que pliê e o contra‑pliê
eram tentativas de brincar de bailarina,
que desejava, no palco da rua,
dançar igual a uma colombina,
e na rua todos gritavam “ié!”.
Me lembro da menina de braços arqueados,
segurando, na ponta dos dedos, uma carnaúba,
dando elegância às mãos infantis,
no subir e descer dos braços,
em um gesto que a alma entoa,
beleza dos braços a flutuar.
E assim, no embalo da infância,
o rodopiar imitava o vento a girar,
com a força que só a natureza é capaz de captar.
Num contra‑pliê, a menina
se via uma gazela a se arquear,
seus braços feitos asas a bater,
para seu público encantar.
E eu, nas minhas lembranças,
me vi nesta menina.
Lembranças da juventude,
da menina que hoje é mulher,
ainda escuta o piano a tocar.
Autora: Darlene Maciel

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