domingo, 8 de março de 2026

Pliês da Infância


Ao som do piano, em notas sonoras,
lembro da infância de outrora,
onde crianças brincavam na ponta dos pés,
num gesto infantil de quem queria bailar.

Tempos em que pliê e o contra‑pliê
eram tentativas de brincar de bailarina,
que desejava, no palco da rua,
dançar igual a uma colombina,
e na rua todos gritavam “ié!”.

Me lembro da menina de braços arqueados,
segurando, na ponta dos dedos, uma carnaúba,
dando elegância às mãos infantis,
no subir e descer dos braços,
em um gesto que a alma entoa,
beleza dos braços a flutuar.

E assim, no embalo da infância,
o rodopiar imitava o vento a girar,
com a força que só a natureza é capaz de captar.
Num contra‑pliê, a menina
se via uma gazela a se arquear,
seus braços feitos asas a bater,
para seu público encantar.

E eu, nas minhas lembranças,
me vi nesta menina.
Lembranças da juventude,
da menina que hoje é mulher,
ainda escuta o piano a tocar.

Autora: Darlene Maciel


domingo, 11 de janeiro de 2026

🌿 Quando a Saudade Mora Perto e Longe Do Meu Coração



Hoje, senti saudades dos filhos: dos que moram longe e me culpam por isso, e dos que moram tão perto e longe do coração.

Saudades dos finais de semana em família. Do falatório alto, das risadas de piadas sem graça, do calor do lugar e do ventilador a soprar.

Saudades dos netos que brincavam num espaço pequeno e para quem o quarto da tia era a maior diversão do mundo. Adoravam brincar de esconde-esconde, e eu participava desse momento como criança novamente.

Saudades das conversas — profundas ou amenas. Um falar sem pedir, sem implorar, sem queixas, sem ausências.

Mas creio que entendi errado a frase dos filhos: queriam manter a distância de alguém que só fazia mal a eles, até de mim, que não soube cuidar de uma delas como deveria.

Cheguei a questionar toda a minha vida e a luta por manter um casamento “pela família”. Agora percebo que, pela frase deles, não atingi meu objetivo e sim criei uma ilusão... de quem era cego era eu!

Entendi que não me preparei para este momento — quando finalmente me divorciei. Senti-me, assim, excluída da família. Onde cada um está em seu lugar e, hoje, me pergunto: o que posso fazer para ter esta família unida novamente, mas com personagens diferentes!

Autora: Darlene Maciel




domingo, 4 de janeiro de 2026

Bolo Negado









O bolo que foi rejeitado
era arretado de gostoso.
Todos sentiam o sabor do amor
que nele fora frustrado.

Ano após ano, lhe foi negado
o prazer de perceber o que ali jazia,
feito lápide a dizer palavras mudas,
insólitas, tingidas de nostalgia.

Mesmo assim, o “não”
se fingia não existir.
Os bolos continuaram leais,
belos, cheios de letras garrafais
que o cego não quis ler,
que a surdez negou ouvir:
um grito de amor a sofrer.

A cada ano, tudo se repetia
na esperança de ser compreendido.
Todos ali envolvidos
sentiram que de nada servia.

Após anos, finalmente,
os dedos perderam o sabor
de bater claras sem significado.
Simplesmente bateu asas, com rancor,
e limpou com lenços os olhos
feridos de mágoa.

Autora: Darlene Maciel

Da Janela

 


Da janela vejo tudo acontecer,
desde os carros descarregando,
as pedras infantis sendo lapidadas
no templo do florescer
as habilidades do seu rebento.

Da janela vejo prédios altos
e baixos, com vidas que não conheço;
são gaiolas que aprisionam almas
que acreditam ser livres,
mas estão presas em suas grades
pagas a preço de ouro.

Da janela vejo ao longe o mar,
com suas ondas que se debatem
no colo da praia a encantar.
Daqui, tão pequeninas, parecem
espumas brancas, como nuvens no céu.

Da janela vejo um espigão de pedras
que enfrenta a força das ondas,
fura o mar sem medos a léguas,
só para você admirar as madrás
que por lá desfilam e abundam.

Da janela vejo a alegria de aqui morar,
rodeada de imagens de tanta beleza.
Neste momento, viro o rosto para apreciar
nosso quarto, nossa cama,
onde eu e você vivemos felizes
com tanta riqueza.

Autora: Darlene Maciel

quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Quando o Tempo Se Despede — Feliz 2026, Obrigada 2025






O tempo voa veloz, tal qual vento do furacão.

Neste funil onde poucos se encontram,
vem a velhice em pleno pulmão,
que nos faz perceber que,
à medida que crescemos,
o tempo se esvai sem direção.

Mas há tanto o que agradecer
em mais um ano bem vivido,
que celebrar nos é pedido,
neste ano que finda, renascer.

Mande flores para seu amor,
aos familiares, paz e oração.
Nas confraternizações, abraços;
aos amigos, um olhar acolhedor.

Só não esqueça de perdoar
a todos e a si mesmo,
pelos erros percebidos
e, com eles, saber saborear
as lições aprendidas.

Olhe para si com amor,
olhe o próximo com emoção.
Esqueça as palavras que só machucam.
Siga adiante com sua bagagem
e viva em união.

2026 será aquilo que você desejar.
Eu desejo que você seja
o seu desejo, e eu, o meu.

Feliz 2026, obrigada, 2025.
Que Deus permita que o tempo
valha a pena e nos faça ver
quem somos: a sua imagem plena
de amor e compaixão.

Autora: Darlene Maciel

quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

Vestida Por Tuas Mãos



Lá estava ele a lhe envolver em cobre,
tecido que veste a alma com fervor.
Onde cada laço dado dizia,
baixinho, em sussurro: — Como te amo!

Mãos leves são plumas a deslizar,
do topo até abaixo, teus olhos;
apreciando o cheiro das rosas,
exaladas pelo teu olfato, 
feito sol a lançar teus desejos.

Agora, cada detalhe faz mostrar 
os cuidados que mãos, em oração,
colocam nas belas peças a enfeitar,
visão de quem cria beleza e paixão.

Braços, bustos e orelhas são envoltos
com pequenas ideias abstratas, atadas,
numa combinação de design e paixão,
completa raridade que brilha radiante.

Nos pés, o dourado, cheio de lacinhos,
finalizava o andar de quem diz, sem falar:
— Como gosto de te amar.
Ver-te arrumada é como ver o jardim a florar.

Agora, dama que ilumina minha vida,
desfila sobre este tapete vermelho,
mostra ao mundo que és
a mulher que me faz renascer.

Autora: Darlene Maciel

Vestes de Natal



O Natal tem suas vestes:
São guirlandas apaixonadas,
penduradas em portas de esperança.
Árvores de Natal decoradas de desejos,
o velhinho risonho na velocidade da luz,
leva o sonho de cada um
no raio da felicidade.

Feito riscos no chão da alma,
vêm os sentimentos
que acendem a memória,
com suspiros e lamentos.

E, com o lápis na mão,
se rabisca que:
– foi o ano que passou
vestido de ilusão;
– foi um ano de inspiração,
cheio de flores e verdes
com perdão.

Para mim, foi renovação,
onde o ontem ficou no passado
e por lá se esqueceu.
Foi o recomeço sonhado
de um novo amanhecer.

Onde o presente
é meu maior presente:
– o que eu não conheci;
– o amor que veio consciente;
– das rupturas que insistiam
em cravar as unhas na alma
e, por fim, rompi.

Você, que veio feito risco no céu,
num raio de felicidade,
me mostrou que todos os dias
somos e seremos
como o Sol que alimenta
o solo de amor.

Então, que neste Natal
o Bom Velhinho,
na velocidade da luz,
leve na sua sacola de carinho
os sonhos desejados...
num raio de amor encantado.

Feliz Natal!

Autora: Darlene Maciel


domingo, 21 de dezembro de 2025

Sussurros Que Curam





Ah, se minha voz permitisse cantar
Faria uma linda canção com letras
coloridas como arco-íris
para tua vida encantar.

Ah, se minha voz aveludada
fosse ouvida por multidões!
Deixaria uma só mensagem:
que o amor vem em orações.

Ah, se minha voz tão aguçada
conseguisse o mundo alçar!
Para cantar a paz desejada
ao guerreiro que reza sem amor.

Ah, se minha voz, como oração,
pudesse gritar seu amor santo,
celestial, de quem ensinou o amor,
sem descrença alguma, Senhor.

Ah, se minha voz fosse capaz
de trazer sossego à noite fria
aos que deitam em camas de pedras,
vorazes na dor da solidão.

Ah, se minha voz, faminta de ti,
visse o valor de evocar
o atroz que cresce e atormenta
tua alma que clama amar.

Ah, se minha voz tão suave
sussurrasse em teu ouvido
todo amor que sinto por ti,
já não mais cruel, nem solidão.

Espelho de Mulher Nordestina



Sim, sou de beleza típica do povo
cearense, com força no olhar,
sem limites a alcançar.
De humor, onde da desgraça
sabe tirar risos sem limites.

Assim como as sertanejas,
cuja beleza está na caricatura do rosto
marcado pelo sol que arde feito brasa,
que usam chapéu de palha nas labutas da roça.

Com braços magros e fortes,
pernas e pés calejados
pelo terreno árido do sertão.
Onde a foice e o arado são adornos
que brincam de furar o chão.

Têm olhos miúdos, tristes e esperançosos
por dias onde a chuva não vem.
Mas, se der “bom dia”, os olhos
saltam de emoção.

Mulheres de sabedoria popular
predizem o futuro só olhando a terra,
onde a escassez é abundante,
tal qual a fome que se vê nos olhos
de filhos magros e barriga inchada.

São verdadeiras fortalezas dos seus,
nada tira a fé em Deus e por tempos melhores.
Têm o sorriso genuíno de quem
não perde a esperança, quase infantil.

E, neste espelho, me vejo também.
Aqui me identifico, onde a família
é altar de oração, motivo de muita
emoção.

Se sou fortaleza, não sei,
me perco nas vezes que
caio ao chão de joelhos
a pedir luz nas decisões
e perdão pelos erros.

E, como boa nordestina, carrego no sorriso
a esperança de água do sertão!

Autora: Darlene Maciel


domingo, 14 de dezembro de 2025

Corrida de Emoções





Quem poderia imaginar,
como um atleta amador,
no ritmo das batidas de tambor,
correr com seu ídolo!
Num Vumbora pro Mar,
correr na Beira-Mar.

Que fez da goma de mascar
nome de sua banda ,
nem a banana escapou,
que canta músicas baianas
com rimas de "Amor bacana"
para o corpo se agitar.

E no balanço das linhas esculturais,
de fans apaixonados correndo lado a lado,
no calor e no suor das notas a alcançar
na esperança da linha de chegada alcançar
no calor e no suor das notas a alcançar
no calor e no suor das notas a alcançar.
Mas pique não vai faltar,.

Cada um a se movimentar,
na esperança de o Fortal recordar,
lá se encontrar a emoção,
Pois Lindo é Viver,
e que Seja Eterno Enquanto Dure!

Sem cervejas, sem músicas,
em passadas longas na busca
de a chegada alcançar.
Para muitos, pouco importa
se será em primeiro ou último lugar,
desde que possa contar que
teve seu ídolo ao seu lado.

Autora: Darlene Maciel


domingo, 2 de novembro de 2025

Sob a Manta do Jasmim





❀Sob a Manta do Jasmim

Teu cheiro me lembra jasmim,
Flor bela que a todos encanta.
Forte, resistente e leve como cetim,
Desejada pelo perfumista
Para suas notas roubar.

Teu cheiro me embala
Num doce aroma que cala,
Que flui pelas narinas,
Subindo à cabeça,
Me embriagando numa música
Que toca, me transformando.

Teu cheiro corre pelas veias,
Perfumando todo o meu ser,
Em leves gotas de orvalho,
Do amor que me incendeias.

Teu cheiro me cobre como uma manta,
Que o prazer da bela manhã encanta.
Que não deixa a luz entrar,
Só você pode adentrar.

Teu cheiro se impregna em meu olfato,
Como o cheiro do Jasmim Real,
Que nada tem de abstrato.
– Hipnose total.

Teu cheiro me enlouquece,
Como o Jasmim Estela.
Por ser único e encantador,
Faz do corpo uma donzela,
Que amacia a fera,
A fera do meu jardim.



sexta-feira, 31 de outubro de 2025

Delírios à Luz da Lua




🌙 Delírios à Luz da Lua

Era noite, cujo luar se desenhava
Na mansidão das águas do mar,
Igual a um tapete dourado,
Te convidando para lá morar.

Pensamentos voam
Para onde mora a solidão,
Na qual se espelha a pensar:
— Como será?

Feito carro à mão,
Brinquedos da infância,
Segue visualizando
Estradas imaginárias,
Feitas de fio de areia,
Igual à teia e sua aranha.

Vendo o reflexo da lua,
Tão majestosa, que só a prosa
É capaz de expressar,
De maneira bem gostosa,
Toda a sua beleza.

Pelas teias sigo a delirar,
A lua cheia que lá se encontra.
Será que nela posso morar?
Volto chorando — senão de tristeza,
Que seja de pura alegria.

E, num momento de imersão,
Mergulho fundo a pensar
Nas coisas que a vida nos traz.
Neste momento... vejo você,
Com seu amor avassalador,
Que foi pedido em oração.

Logo entendo que nem a lua,
Teia ou imaginação que flutua
Faz a mim delirar,
Pois só você, meu amor,
É capaz de me encantar.

Autora: Darlene Maciel




Do Que Tens Medo?



É incompreensível seus desvaneios.
Que medos você tem?
Será que deles devo fugir?

Não se deixe levar por fantasias.
A imaginação prega peças,
Outras boas, outras ruins.
Será que a sua se perde em delírios?

Percorro meu passado,
E vejo cenas que não condizem
Com os sentimentos de outrora.
Imagine — agora.

Te aconselho: — Não deixe sua vida
Ser moldada em molduras com figuras tristes
Ou simuladas numa parede velha e esquecida.

Sempre que a mente insistir
Em sentir desconfianças,
Diga ao seu coração: — Deixe o amor entrar.

Aqui, no meu coração, só cabe amor,
O nosso amor.
Vejo, claramente, meu cérebro se acender
Sempre que juntos estamos.

Então, do que tens medo?

Autora: Darlene Maciel