domingo, 21 de julho de 2024

Anjos existem

Vou iniciar esta narrativa com uma história contada por populares:

— Havia um senhor que era muito crente em Deus. Um dia, foi nadar no mar e acabou sendo arrastado pela correnteza, mar adentro. Como nadava muito bem, não se afogou de imediato. À medida que o tempo passava, seu cansaço aumentava. Algum tempo depois, chegou um salva-vidas, mas ele não aceitou a ajuda, pois acreditava que Deus iria ajudá-lo. Em seguida, chegou uma pequena jangada, mas ele também recusou. Depois, chegou um navio, e ele também o recusou. Já muito cansado, viu um submarino, agradeceu a ajuda, mas disse que não precisava, pois Deus iria ajudá-lo. Veio o cansaço, e ele acabou se afogando. Ao chegar no céu, foi recebido por Deus e imediatamente indagou:

— Senhor! Tanto que creio em Ti, e não me ajudaste a sair do mar?

Deus, olhando em seus olhos e o amparando pelas mãos, respondeu:

— Meu filho, te mandei um salva-vidas, e você recusou a ajuda. Te mandei uma jangada e, depois, um navio, e também recusou. Até um submarino te enviei, e nem assim você aceitou. É por isso que estás agora comigo.


E aqui começa a minha história.

Minha filha sempre volta da aula de ônibus e está sempre com o celular em mãos ou na bolsa da escola. Neste dia, resolvi visitar meu filho no horário da tarde. Como o colégio é perto da casa dele, o pai dela me pediu para ligar para ela. Assim procedi, porém quem atendeu tinha a voz de um homem, e havia muito barulho ao redor, como uma briga ou confusão. Desliguei imediatamente e disse, olhando para meu marido:

— Ai... deu medinho... quem atendeu foi um homem?

Liguei novamente, pois poderia ter discado o número errado. Novamente, a mesma voz. Finjo querer falar com o Sr. Antônio, um nome que inventei na hora. A voz pergunta se o celular era do Antônio, e eu respondo com outra pergunta:

— Como você pegou este celular?

Rapidamente, ele diz que viu um rapaz roubar o celular de alguém que estava subindo no ônibus, correu atrás dele e tomou o celular de volta. Me questionou sobre como poderia devolver o aparelho. Atônita, pedi que aguardasse, pois ligaria depois. Olhei para meu marido com um olhar assombrado e disse:

— Acho que roubaram o celular da nossa filha.

E contei o ocorrido.

Em segundos, pensamentos aterrorizantes passaram pela cabeça, e o pavor tentou dominar o pensamento. Mas decidi que iria para casa esperar notícias, enquanto ele iria até a casa do nosso filho. Ligamos imediatamente para a melhor amiga dela e perguntamos se estava com minha filha. A amiga disse que havia estado com ela há cerca de 15 minutos e acreditava que ela estivesse em sala de aula. Contei o ocorrido e pedi que a localizasse e verificasse se estava tudo bem, pois não conseguia falar com ela.

Alguns minutos depois, tentei, em vão, falar com a amiga da minha filha; o telefone só dava ocupado ou chamava sem resposta. Lá vinham os maus pensamentos... até que ela atendeu e explicou que já haviam recuperado o celular, mas, quanto à minha filha, disseram que ela havia subido no ônibus. A voz com quem falei era de um vigilante de uma farmácia que, ao ver a ação do rapaz que havia retirado o celular da bolsa da minha filha, abordou o rapaz e recuperou o telefone.

O alívio só veio após minha filha chegar em casa, pois não havia como ter certeza de que ela estava bem. A beijei e abracei tanto. Só agradecia a Deus por estar tudo bem.

Retrocedendo para a manhã anterior a esse acontecimento, sempre faço a mesma oração a Deus, pedindo que minha filha se torne invisível para o mal e que Ele a proteja sempre. À tarde, antes de ligar, eu havia ido ao cardiologista e, ao sair, lembrei-me dela. Pensei que ainda não havia falado com ela e pedi novamente a Deus que os anjos ficassem sempre perto dela.

Então, quando estava abraçando minha filha, só agradecia a Deus pela proteção e pelo anjo na forma do vigilante — e de todos os amigos que foram em socorro a ela, mesmo sem ela estar lá, resolveram o problema.

E é assim que acredito que Deus se manifeste: por meio de diversos meios, mas sempre fazendo o que pedimos a Ele.


Autora: Darlene Maciel

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