domingo, 14 de setembro de 2025

Até Que o Sol Nos Chame



Como é prazeroso
Ao teu lado estar,
Em cada amanhecer.
Já imagino o Sol imperioso
Se erguendo a nos aquecer.

O dia segue corriqueiro
Num prazer latente do labor.
Muito a fazer com fervor,
Para mais tarde,
A gente se encontrar.

E eu, ao teu lado, a me esticar,
Para mexer todo o corpo,
tal qual um preguiçar.
Um olhando para o outro,
Na busca do último exercício,
Para logo na esteira se jogar.

Tal qual um corredor,
Que tudo alcança
Sem pensar no próximo lugar.

Quando o tempo termina, começa o jantar.
Um do lado do outro, a se contemplar.
Nesses momentos, conversas vêm
Num tom saudoso ou no sabor
Do hoje ao amanhã!

Agora, resta apenas descansar
Nos braços do meu amor,
Que com ternura me abraça,
Me enlaça, no silêncio da noite,
Para só no outro dia me soltar.

Autora: Darlene Maciel  

sábado, 13 de setembro de 2025

Jardim de jarros








Como cuidar de ti

Lindo jardim de jarros?
Não estais em solo fértil,
No chão da natureza.

Dependes de cuidados
Que a mim são negados.
Saberes do nosso Criador: –
Senhor de tudo e de todos.

Tu fizestes tão belos e perfeitos,
Deu a cada ser vegetal
Sua fonte de atributos,
Capazes de curar ou matar,
De embelezar cada
Um com distinta perfeição.

Aqui, no meu cantinho,
Minha terra elevada, infrutífera,
Trago plantas em recipientes de barro
Que sustentam raízes
Para florir minha morada de pedra e cimento.

Mas, por pouco conhecer
Dos botões que se abrem ao Sol,
Busco em livros o que
Minhas mãos não sabem dar.
Crio os componentes nutricionais
Com tudo que venho a saber.

Ah, meu jardim de jarros!
Como estais bonito agora,
Com flores verde e rosa,
De espadas de São Jorge até Dragão.

Vejo agora meu jardim,
Viçoso, a balançar ao vento
Que leva o cheiro das flores
A cada narina que aqui passa.

Autora: Darlene Maciel



domingo, 24 de agosto de 2025

Teu ciúmes


Teus ciúmes me incomodam,

Deixam-me como uma roupa,
Sem moda, apática ao tempo,
Que vai ao relento,
Feita roda.

Teus ciúmes me apavoram.
Não vês que sou tua devota?
É mais uma derrota!

Teus ciúmes me causam dúvidas:
Se hoje ou noutras vidas
Tu foste infiel...
Só os infiéis têm ciúmes
Desmedidos, ilógicos.

Teus ciúmes, às vezes, me envaidecem.
Me tornam desejável, amada.
Mas logo vem a pergunta:

– Será na medida certa?
Se sim, vamos viver o sonho, por certo.
Se não, como reinventar a vida encantada?

Talvez com um amor mais comedido,
Um abraço justo, bem ajustado,
Sem espaço para uma vida
De receios e tantos medos.

E assim o ciúme desaparece,
Quase como uma prece.

Autora: Darlene Maciel




domingo, 17 de agosto de 2025

Me ajude a entender


Me Ajude a Entender

Autora: Darlene Maciel

Me ajude a entender:
Por que desenhar no corpo
riscos que não dizem nada?
Parecem um jardim de tintas,
mas acompanham uma geração.

Sinto algo estranho
ao ver as cicatrizes
que marcam pedaços teus.
Daí, sem me avisar,
se instala no meu pensar:

Que dor doída é essa?
Dor do não entender
esse teu grito silencioso,
que rasga o meu peito
num grito furioso.

Já não se sabe por quê
as lágrimas escorrem
pelo rosto ao chão,
por não crer nessa ponte
quebrada entre gerações...
E o pensamento vai longe,
para onde os olhos não veem.

Dói — as frases ditas sem pensar.
Dói — cada desenho feito na pele tão jovem.
Que necessidade é essa
de chamar tanta atenção?
Assim segue meu coração
em desalinho crescente...

E as lágrimas aumentam,
pois nada se pode fazer.
Crê ser independente,
que desenhos, às vezes belos,
podem má impressão causar.
Nem imagina o quão dependente
se é do outro — e o outro
pode não te aceitar.

Que erros aconteceram?
Onde foi parar o amor?
Só as lágrimas limpam
as dúvidas do coração
de uma mãe que só
pode olhar... e calar.


sábado, 16 de agosto de 2025

Teu amor sereno


Sereno é teu amor
A mostrar a vida
Num ritmo manso,
Lindo, cheio de cores.

Onde o canto do pássaro
Ressoa em todos os caminhos,
Nos ajudando a perceber
Que juntos tudo é bonito,
Tudo faz sentido.

Teu olhar tem linhas
Onde escrevo as aventuras
De estar contigo:
Aventura sem par.

E ouço a música vibrante
A nos acompanhar
Neste caminhar edificante.

Teus braços tecem linhas
Que se enroscam firmes
Em todo o meu corpo,
Para não faltar um fio
Sem a força do teu abraço.

Teus pés, tão firmes no chão,
São raízes a sustentar
Este amor que foi regado
Pelas águas dos nossos corpos
A transpirar de amor.

E neste ritmo lento,
Busca-se viver,
De forma intensa,
Esse amor divino.

Como o rio que navega,
Ora lentamente,
Ora vorazmente,
Até o mar alcançar.
E de lá, se tornar
Uma imensidão sem fim.

Autora: Darlene Maciel



sexta-feira, 15 de agosto de 2025

Meu presente


Um dia pedi a Deus: – O amor conhecer.
E, rápido, em prece contei o que queria
desse amor sem adeus, sem jamais se perder.

Alguém que me amasse sem passados,
capaz de respeitar meu corpo maduro,
curtido pelo tempo e seus cuidados,
com marcas de momentos mais que sagrados.

Alguém que desejasse ser amado e amar,
na mesma intensidade que a luz tem,
cujo clarão ilumina os escuros a gritar,
e que a vida insiste em nos fazer refém.

Alguém tão experiente quanto eu,
com traços lapidados pelas eras,
e cuja história brilhe além da minha,
mais rica que um simples cordel sincero.

Alguém cujo coração não tem amargura,
sem espaço para dor ou fissura,
que ame viver em plena aventura,
e encontre na alegria a ternura.

Alguém, assim, tão certo como você,
que chegou de surpresa em minha vida,
se encaixou no pedido que fiz a Deus,
sem pedir licença, se fez merecer,
e tomou conta de todo o meu ser.

Eu vejo-o como um grato presente
que Deus me concedeu em santa benção,
pois só queria o amor conhecer
e nele me envolver em emoção.

Espero que dure para sempre,
assim como o sol que insiste em nascer,
nossos dias sejam sempre de amor,
como o rio que namora com o mar,
e que mantenha a todos satisfeitos,
pois sem a água não vamos viver.

Autora: Darlene Maciel

terça-feira, 12 de agosto de 2025

Bom dia, meu amor


Bom dia, meu amor

O dia começa com um... — Bom dia, meu amor!
Nada melhor para matar o jejum matutino
que ver o teu sorriso — encantador e divino,
que mata a fome e traça o destino.

Depois, mergulhar em teus olhos sedentos,
querendo, num longo beijo, nos atar,
como laços que nos entrelaçam,
assim queremos ficar.

Entre roçados de pernas,
num deslizar lento, gostoso, da imaginação,
sinto o abraço que acende e faz tremer
todo o meu corpo — como chama em explosão!

A cama, nossa amiga,
não quer nos libertar.
Nos convida a dançar,
a flutuar como o vento a soprar.

Quando todo o corpo transpira,
joga para fora o calor da emoção
que nasce do nosso querer.
Ficamos quietos, quase em oração,
num arfar gostoso de ouvir.
Assim, o dia inicia.

Mas a vida tem seus afazeres,
cada um no seu lugar,
como os ponteiros que correm sem parar,
na ânsia de logo se encontrar,
para, mais uma vez, juntos ficar.

Na noite que se inicia,
queremos na cama deitar,
nossa cúmplice mais fiel,
guardiã dos nossos segredos,
sempre disposta a nos abrigar.

E nosso dia termina com um: — Boa noite, meu amor!

Daí, já não há mais nada a fazer,
a não ser esperar o dia amanhecer...
Para dizer: — Bom dia, meu amor.
E recomeçar o ciclo infinito
do abraço que nos envolve — e nunca termina.

Autora: Darlene Maciel

segunda-feira, 14 de julho de 2025

A partida

Descanse em Paz

Todos ao seu redor,
A lembrar dos bons momentos,
Das benfeitorias,
Até mesmo das traquinagens.

Enquanto você ali, parado,
Inerte num corpo sem vida.
Já não mais risonho,
Já não mais brincalhão.

Do sorriso franco me lembro,
Do jeito leve de mostrar a vida —
Às vezes sarcástico,
Às vezes só pirraça.

Agora, já não conta histórias...
São os outros que vão contar sobre você.
Mas, para quem tem uma família tão linda,
Não há o que se diga de ruim.

Não vou dizer que preferia
Aqui te ter —
Pois seria negar os dizeres de Deus:
"Porque tu és pó, e ao pó tornarás."

Descanse em paz, caro amigo,
Com quem pouco convivi,
Mas de quem aprendi
Que a família é o centro da vida.

Descanse em paz.

Autora: Darlene Maciel

domingo, 13 de julho de 2025

Meu olhar no teu olhar.


Já tentei de mil maneiras de te falar
Sobre como vejo o teu olhar.

Poesias escrevi, com paixão!
E, em cada poema, me expressei —
Sempre desenhando os olhos apaixonados que via,
E, tenho que confessar: ainda não consegui.

Agora tento, mais uma vez, descrever
O que sinto ao mirar os teus olhos brilhantes.
Olhos puros, com dizeres profundos, constantes,
Com mistérios a serem revelados,
Tão expressivos como o fundo do mar:

Calmo...
De uma mansidão de dar medo!
Medo pela escuridão da profundidade,
Medo de nele se perder, pela amplitude
Deste mar sem fim...
Ou pela correnteza que pode te levar.

Quando, assim, o percebo,
Tuas mãos eu seguro —
Tão forte como uma corrente de aço.

Depois te abraço,
Te sentindo meu.

Volto meus olhos
E fito os teus,
Para ter certeza
De que nem correnteza,

Nem tormenta incerta
Vai mudar o nosso amor,
Espelhado no teu olhar —

Que nasceu maduro, com certeza.
Tão seguro, forte, que nada — só Deus —
Pode mudar o que olhamos juntos:
Meu olhar no teu olhar.

sábado, 5 de julho de 2025

O que te deixa tão inseguro?


O que te deixa tão inseguro?

Se o meu amor a ti asseguro,
Entre palavras, gestos e olhares?

Por que duvidas deste amor?
Se em teus braços me sinto
A mulher mais bela, amada
E desejada?

Por que teus olhos estão zangados?
Se meu sorriso a ti dirijo,
Com agrados a te beijar?

Por que buscas por dúvidas,
Se não desejo outras vidas
Que não esta com você?

Vem, aquieta tua alma,
Aconchega-te ao meu lado,
Sereno e calmo.

Junta teu corpo ao meu
Num laço sem abraço,
Cuja magia flui do entrelaçado
Dos nossos corpos.

Tecendo um som gostoso,
Que só os apaixonados podem ouvir,
Que nos diz que nascemos um para o outro.
E dúvidas não há por que existir.

Autora: Darlene Maciel

Qual o preço da felicidade?


Qual o preço da felicidade?
E quão perto está da infelicidade!
Não tive tempo — nem consegui ver.
É a mais pura verdade.

Me contentava em seguir adiante,
a caminhar na cegueira constante.
Não havia como mudar a semente
plantada no fundo do inconsciente.

O preço pago foi o amor unipessoal:
de mim, comigo mesma,
me agarrando aos farrapos, ao léu.
Será que paguei alto demais?

A resposta está no processo que se deu.
À medida que minha boca calou, meu corpo respondeu.
Foi um movimento imperceptível, prolongado, a me envolver,
até o instante em que se agarra o braço de alguém
com a mesma força da dor que se sente —
e vê-se o terror em seus olhos, somente.

Sim, algo mudou em você.
Sua agressividade é incontrolável.
Há uma guerra — interna e externa — em você,
entre o estar certo e o errado,
entre saber tudo e ser insuportável.

No silêncio da noite, sabia-se o porquê;
no florescer do dia, tudo se escondia.
As lágrimas vinham e iam, sem covardia.
E eu cobria meu rosto com um véu,
que transformava tudo em melodia.


Autora: Darlene Maciel

sábado, 21 de junho de 2025

Te amar é fácil!



Te amar é fácil,
Você é puro, sensível e ágil,
Para fazer tudo o mais lindo possível
Dentro do nosso mundo mil.

Te amar me encanta,
A ponto de tudo ficar azul,
Como o céu num dia sem véu,
Onde o sol beija minha pele,
Feito fogo descendo do céu.

Te amar me permite ser feliz,
Tal qual a águia no céu a voar,
Percorrendo a relva com seu olhar
Aguçado de caçador,
Presa fácil só para em teus braços ficar.

Te amar me faz sorrir
Para tudo ao meu redor,
Como o mar beija a areia
E te convida para ali se banhar,
Deixando tudo de mal sair.

Te amar, te amar e amar,
Assim como a águia ama voar,
O sol ama aquecer,
O mar ama banhar,
E você ama me amar
Assim como sou!

Autora: Darlene Macie

quinta-feira, 19 de junho de 2025

Ah, o amor!


Ah, o amor!
Mente ao dizer que não quer,  
ao fingir repulsa,  
por medo de errar,  
só pra esconder  
que o que mais deseja  
é amar.

Ah, o amor!  
Sofre por feridas mal curadas,  
pela dor do partir,  
por desejar o proibido,  
por não saber  
o que sentir.

Ah, o amor!
Chora pela despedida,  
pelas mágoas sentidas,  
pelo doce do sorriso,  
por saber  
que é amor, de fato.

Ah, o amor! 
Ama — e se esquece de tudo  
quando se permite de novo:

amar sem remorsos,  
amar sem receios,  
amar sem dor,  
amar sem mentir...

Ah, o amor!