domingo, 26 de outubro de 2025

Grudadinhos que Nem Cola



Ele tem calor, ela tem frio.
Duas almas que se encaixam,
Embaixo do cobertor,
Formando um C no macio,
Igual a uma conchinha.

E se ela vem com o lençol,
Ele o joga para bem longe,
Pois tudo que quer é o calor
Do corpo dela, igual ao girassol,
Que segue a luz do Sol.

Ele enlaça sua cintura,
A puxa para bem pertinho.
Os pés deslizam com ternura,
Pra se colarem mais juntinhos,
Grudadinhos — que amor!

Ah! O calor do corpo dele, morno,
A faz adormecer pela paz que lá encontra.
Prazer igual não há, que a deixa sem retorno —
Só os dois podem entender: pronta.

Se à noite se separam,
Logo buscam se encontrar.
Seus braços buscam suas curvas,
Um beijo nas costas nuas se dá.
Assim o sono embalam e ficam —
Grudadinhos que nem eu e você!

Autora: Darlene Maciel

sábado, 25 de outubro de 2025

A Trilha Sonora das Manhãs



🎶 Todas as manhãs, as músicas tocam

No volume do nosso coração, ecoam,
Fluem pelos quatro cantos do quarto,
Deixando a vida entrar — emocionante.

Músicas românticas que nos levam a dançar,
Sem o chão tocar, quase a voar,
Num rodopiar, seguindo cada nota a deslizar.

Músicas alegres com o canto dos pássaros,
Soltos na natureza, em plena revoada,
Comemorando a aurora — mente avoada!
Ou o crepúsculo que se aproxima, meus caros.

Músicas antigas que levam o pensamento para longe,
Com doces recordações — amigos, antigos amores.
Nas rodas criadas pelas mãos dadas,
Brincadeiras doces e inesquecíveis,
Que atravessam memórias que vão longe.

Ouvir músicas torna o dia mais radiante,
Como o brilho do olhar inocente de uma criança.
E te ver cantar encanta o meu ser vibrante,
Envaidece a mulher que existe em mim, confiante.
Renova meu amor a cada melodia — adiante.

Autora: Darlene Maciel


O Mundo na Ponta dos Dedos



Desde os primórdios, usava-se para escrever: ossos, madeira, argila, carvão — até o dedo. Tudo que permitisse desenhar servia.

Assim se diz dos desenhos feitos nas cavernas, relíquias que o tempo guardou para nós.

Até uma pena se usou. Aquela que servia para voar, agora ajudava o mundo a se comunicar.

Finalmente veio o lápis — uma revolução para a escrita. Com ele, podia-se escrever com facilidade, onde um ponto seguido de outro criava uma linha, e desenhar letras virou brincadeira.

Daí para a caneta foi um pulo. Nos moldes de hoje, já não é preciso molhar a ponta da caneta. E não havia água que apagasse o que ali se escrevia — nem as lágrimas dos que choravam, nem o vento a varrer o chão.

Desde então, sua evolução chegou até os teclados, que, ao toque dos dedos, permitem dizer ao mundo tudo que se deseja. Me traz à lembrança meu avô, a teclar seus artigos para o jornal local. E com o uso do teclado do computador, tudo mudou: o mundo virou digital, e o que era distância ficou tão perto quanto a areia da praia.

Com tanta evolução, pensou-se que o lápis e a caneta cairiam em desuso. Quanta ilusão! Com a caneta na mão, vamos desenhando um mundo de emoções. O cérebro é ativado com cada letra desenhada — habilidades que o simples dedilhar não realiza com tanta maestria. Ao segurar o lápis, a caneta, ou qualquer instrumento que exige força e precisão, o corpo envia informações valiosas ao cérebro. O prazer de expressar sentimentos pelo movimento ondulante da escrita ativa não só o tato, mas também a emoção — uma dança entre mão, coração e mente.

Eu prefiro escrever no meu caderno. Cada pensamento é elaborado: meus poemas, minhas crônicas, meus textos. Só depois levo tudo para a tela do computador.

Agora, uso um teclado e os dedos — voltando assim ao começo.

Outro dia, vi um menino desenhar com carvão no chão, criando um lindo pássaro a voar.

Na areia da praia, vi escrito, bem grande: Eu te amo. 

Meu amor a escrever seus versos no teclado do celular.

Meus pensamentos fluem como o vento a soprar, e não param até conduzir meu coração ao caderninho dos meus sentimentos.

Se escrever é uma arte, eu sou a arte. Como arte, nada é igual — é tudo autoral.

Autora: Darlene Maciel

sábado, 18 de outubro de 2025

💬 Não Importa Nada Além

Não Importa Nada Além

Autora: Darlene Maciel

Você não precisa “não amar”,
Querendo apagar os bons momentos
Vividos quando ela era criança.
Que tal só saborear,
Como sorvete que logo vai acabar?

A diferença de idade, por circunstâncias que só nós sabemos,
Fazia você vê-la não como irmã, mas como uma mãe —
Que brincava de casinha, com sua irmã a cuidar,
A levar para a creche, para a faculdade,
Para as festinhas da irmã mais velha,
Tal qual boneca que se ganha: seu tesouro maior.

Quem nunca duvidou de quem era sua mãe — eu ou ela?
Era motivo de riso, essa história.
Dos falatórios do interior, que com olhos de maldade
Inventavam estórias que nunca existiram.

Hoje, mulheres, buscam esconder o que sentem uma pela outra.
Não façam do amadurecer algo maior
Do que o amor que une vocês.
Cada uma tem suas dores,
E motivos para chegarem até onde estão.

Nenhuma entendeu o real objetivo na infância —
Imagine na adolescência ou na idade madura.
De uma mãe que só queria que os irmãos juntos ficassem,
Criassem conexão entre os três, pois são irmãos.
E não interessa a idade —
Todos já passaram pelos mesmos conflitos,
Em diferentes momentos.

Criar mais uma barreira não se faz necessário.
O que se precisa é derrubá-las,
E olhar para cada um e dizer:

— Eu te amo.
Não importa nada além.

O Peso de Ser, o Amor de Ser



Nada há a fazer, a não ser te apoiar.
Não, não consigo entender,
Mas sim, eu te apoio,
E não deixo ninguém te ofender.

Vem à mente o preconceito,
O sentido de quem antes, mulher,
Hoje é um lindo rapaz.

Não há como apagar o nascimento,
As lembranças da menina
Que só queria brincar
Com brinquedos de meninos.

Sim, cedo deu seus sinais.

Tentando melhor entender,
Respostas fui buscar:
— Na creche, só tinhas meninos;
— Se parece com a avó,
Que adorava brincar com os meninos da rua,
Que soltava papagaio e com os irmãos brincava.
Mas diziam: “É menina, não pode!”
— Deve ter convivido muito com seus coleguinhas,
Por isso quer ser o Homem-Aranha!

Agora, já rapaz, lindo e inteligente,
Sofre consigo mesmo
Todas as dúvidas da adolescência.
E carrega em seu peito mais uma:
—  Será que irão me aceitar?

Já irá se formar.
E como será?
Na hora das fotos da infância?
Morrerá a menina que um dia existiu?
Assim como as fotos com os pais e avós?
Será como olhar para um espelho quebrado.

Mesmo que doa como espinho na alma,
Nunca vou te criticar.
E, com sangue e força,
Sei que vou para sempre te amar.

Autora: Darlene Maciel

domingo, 12 de outubro de 2025

Dias com as amigas



Não faltam risos, músicas
e muitas lembranças... boas ou tristes.

Assim são os dias de encontro com as amigas:
antigas parceiras da infância,
da época escolar — e também as mais recentes.

Momentos mágicos que surgem:
— Com quem você casou?
— E como está aquele?
— Você lembra do fulano?

E nesse ritmo vamos tecendo
o pano com fios das lembranças,
tal qual uma colcha de retalhos,
onde cada pedaço é uma história contada.

Cada uma narra sua recordação,
cheia de amor, risadas e choros.
Como o fiar forte que nunca para,
tecendo o tecido, fio a fio,
na velocidade da memória.

E se esse fio for de um violão,
a veia artística e espontânea já fia alto,
com voz alegre,
sem receio de desafinar — o que importa é cantar.
Como diz o ditado:
“Quem canta seus males espanta.”

E num dedilhar final, despedem-se,
já marcando um novo encontro,
com promessas de que mais dias virão.

Autora: Darlene Maciel

sábado, 11 de outubro de 2025

Me Sinto Num Barco à Vela



Me sinto num barco à vela,
Levada pelo vento a soprar,
Rosto ao sol, cabelos a voar,
Vendo os raios solares a embelezar
O tempo a passar.

E como barco, navego
Por águas conhecidas,
Para que o leme
Siga seu curso,
Mesmo nas tormentas,
Aguardando a bonança chegar.

Águas tão puras quanto
O meu amor por você!
Que enche meus pulmões
De ar fresco e do perfume do mar,
Como a relva a se
Enraizar em todo o meu ser.

Na bússola do meu coração,
Imagino suas mãos guiando as minhas,
Com leves movimentos, para não
Desviar o caminho.

Sonhando, chego ao porto seguro,
Onde você me espera, dia após dia,
Com seus laços de marinheiro,
Para nunca mais meu barco derivar
E, nos seus braços, sempre ficar.

E te ouvir dizer:
— Vem, meu amor,
Estou com saudades de você!

Autora: Darlene Maciel


Saudades, papai!


Já não te espero chegar.

Aquela menina loira,
de cabelos cacheados,
aguardava ansiosa
a tua presença.

Já não te espero chegar

com seus presentes
tão intrigantes.
Um dia, uma gaiola com passarinho —
“Voa, passarinho!”, e lá se foi o presente.
Ou o bode que não podia me ver,
que dava umas cabeçadas em mim.
E tua presença... sempre ausente!

Já não te espero chegar

com seu carro todo enfeitado:
uma rede pendurada no retrovisor,
um caranguejo na marcha,
um ventilador minúsculo no painel,
uma música engraçada na ré.
E assim, te vi seguir
pelas estradas a viajar...

Já não te espero mais chegar

para pedir um churrasco misto,
para, ao teu lado, varrer o chão,
na ânsia de conseguir tua permissão —
até você perguntar: “Vai fazer um buraco?”

Já não te espero chegar

para perguntar se posso namorar,
e me fazer aquelas perguntas
sobre famílias que eu não sabia responder.

Agora, já sei as respostas,
mas você já não está mais aqui
para ouvir — e rebater.

Ai ,que Saudades senti!

Autora: Darlene Maciel

domingo, 5 de outubro de 2025

A Dançarina


A noite se aconchega no ocaso,
E com ela, todo o esplendor prateado,
Onde mistério e arcano se entrelaçam,
Dão espaço à imaginação.

Quem sabe, uma dançarina
Se embala à sintonia de Beethoven,
Sonhando com seu par,
A com ela bailar.

Nas pontas dos pés, dando pulos,
Saltos num grand jeté,
Igual a uma gazela,
Correndo pela várzea,
Rodopiando que nem pião.

E no palco, quem sabe,
Alguém está a sonhar,
Dançando ao lado da linda bailarina,
E, num suspiro, a carrega em seus braços,
E juntos bailam sem parar.

A noite varre os sonhos,
Embalam as imaginações,
E, de pulo em pulo,
Ao som dos amantes,
Se vai até o raiar da aurora.

A música para,
As sapatilhas são esquecidas,
E os pares se vão
No turbilhão do dia a dia.


Autora: Darlene Maciel

domingo, 14 de setembro de 2025

Até Que o Sol Nos Chame



Como é prazeroso
Ao teu lado estar,
Em cada amanhecer.
Já imagino o Sol imperioso
Se erguendo a nos aquecer.

O dia segue corriqueiro
Num prazer latente do labor.
Muito a fazer com fervor,
Para mais tarde,
A gente se encontrar.

E eu, ao teu lado, a me esticar,
Para mexer todo o corpo,
tal qual um preguiçar.
Um olhando para o outro,
Na busca do último exercício,
Para logo na esteira se jogar.

Tal qual um corredor,
Que tudo alcança
Sem pensar no próximo lugar.

Quando o tempo termina, começa o jantar.
Um do lado do outro, a se contemplar.
Nesses momentos, conversas vêm
Num tom saudoso ou no sabor
Do hoje ao amanhã!

Agora, resta apenas descansar
Nos braços do meu amor,
Que com ternura me abraça,
Me enlaça, no silêncio da noite,
Para só no outro dia me soltar.

Autora: Darlene Maciel  

sábado, 13 de setembro de 2025

Jardim de jarros








Como cuidar de ti

Lindo jardim de jarros?
Não estais em solo fértil,
No chão da natureza.

Dependes de cuidados
Que a mim são negados.
Saberes do nosso Criador: –
Senhor de tudo e de todos.

Tu fizestes tão belos e perfeitos,
Deu a cada ser vegetal
Sua fonte de atributos,
Capazes de curar ou matar,
De embelezar cada
Um com distinta perfeição.

Aqui, no meu cantinho,
Minha terra elevada, infrutífera,
Trago plantas em recipientes de barro
Que sustentam raízes
Para florir minha morada de pedra e cimento.

Mas, por pouco conhecer
Dos botões que se abrem ao Sol,
Busco em livros o que
Minhas mãos não sabem dar.
Crio os componentes nutricionais
Com tudo que venho a saber.

Ah, meu jardim de jarros!
Como estais bonito agora,
Com flores verde e rosa,
De espadas de São Jorge até Dragão.

Vejo agora meu jardim,
Viçoso, a balançar ao vento
Que leva o cheiro das flores
A cada narina que aqui passa.

Autora: Darlene Maciel



domingo, 24 de agosto de 2025

Teu ciúmes


Teus ciúmes me incomodam,

Deixam-me como uma roupa,
Sem moda, apática ao tempo,
Que vai ao relento,
Feita roda.

Teus ciúmes me apavoram.
Não vês que sou tua devota?
É mais uma derrota!

Teus ciúmes me causam dúvidas:
Se hoje ou noutras vidas
Tu foste infiel...
Só os infiéis têm ciúmes
Desmedidos, ilógicos.

Teus ciúmes, às vezes, me envaidecem.
Me tornam desejável, amada.
Mas logo vem a pergunta:

– Será na medida certa?
Se sim, vamos viver o sonho, por certo.
Se não, como reinventar a vida encantada?

Talvez com um amor mais comedido,
Um abraço justo, bem ajustado,
Sem espaço para uma vida
De receios e tantos medos.

E assim o ciúme desaparece,
Quase como uma prece.

Autora: Darlene Maciel




domingo, 17 de agosto de 2025

Me ajude a entender


Me Ajude a Entender

Autora: Darlene Maciel

Me ajude a entender:
Por que desenhar no corpo
riscos que não dizem nada?
Parecem um jardim de tintas,
mas acompanham uma geração.

Sinto algo estranho
ao ver as cicatrizes
que marcam pedaços teus.
Daí, sem me avisar,
se instala no meu pensar:

Que dor doída é essa?
Dor do não entender
esse teu grito silencioso,
que rasga o meu peito
num grito furioso.

Já não se sabe por quê
as lágrimas escorrem
pelo rosto ao chão,
por não crer nessa ponte
quebrada entre gerações...
E o pensamento vai longe,
para onde os olhos não veem.

Dói — as frases ditas sem pensar.
Dói — cada desenho feito na pele tão jovem.
Que necessidade é essa
de chamar tanta atenção?
Assim segue meu coração
em desalinho crescente...

E as lágrimas aumentam,
pois nada se pode fazer.
Crê ser independente,
que desenhos, às vezes belos,
podem má impressão causar.
Nem imagina o quão dependente
se é do outro — e o outro
pode não te aceitar.

Que erros aconteceram?
Onde foi parar o amor?
Só as lágrimas limpam
as dúvidas do coração
de uma mãe que só
pode olhar... e calar.