Desde os primórdios, usava-se para escrever: ossos, madeira, argila, carvão — até o dedo. Tudo que permitisse desenhar servia.
Assim se diz dos desenhos feitos nas cavernas, relíquias que o tempo guardou para nós.
Até uma pena se usou. Aquela que servia para voar, agora ajudava o mundo a se comunicar.
Finalmente veio o lápis — uma revolução para a escrita. Com ele, podia-se escrever com facilidade, onde um ponto seguido de outro criava uma linha, e desenhar letras virou brincadeira.
Daí para a caneta foi um pulo. Nos moldes de hoje, já não é preciso molhar a ponta da caneta. E não havia água que apagasse o que ali se escrevia — nem as lágrimas dos que choravam, nem o vento a varrer o chão.
Desde então, sua evolução chegou até os teclados, que, ao toque dos dedos, permitem dizer ao mundo tudo que se deseja. Me traz à lembrança meu avô, a teclar seus artigos para o jornal local. E com o uso do teclado do computador, tudo mudou: o mundo virou digital, e o que era distância ficou tão perto quanto a areia da praia.
Com tanta evolução, pensou-se que o lápis e a caneta cairiam em desuso. Quanta ilusão! Com a caneta na mão, vamos desenhando um mundo de emoções. O cérebro é ativado com cada letra desenhada — habilidades que o simples dedilhar não realiza com tanta maestria. Ao segurar o lápis, a caneta, ou qualquer instrumento que exige força e precisão, o corpo envia informações valiosas ao cérebro. O prazer de expressar sentimentos pelo movimento ondulante da escrita ativa não só o tato, mas também a emoção — uma dança entre mão, coração e mente.
Eu prefiro escrever no meu caderno. Cada pensamento é elaborado: meus poemas, minhas crônicas, meus textos. Só depois levo tudo para a tela do computador.
Agora, uso um teclado e os dedos — voltando assim ao começo.
Outro dia, vi um menino desenhar com carvão no chão, criando um lindo pássaro a voar.
Na areia da praia, vi escrito, bem grande: Eu te amo.
Meu amor a escrever seus versos no teclado do celular.
Meus pensamentos fluem como o vento a soprar, e não param até conduzir meu coração ao caderninho dos meus sentimentos.
Se escrever é uma arte, eu sou a arte. Como arte, nada é igual — é tudo autoral.
Autora: Darlene Maciel