sábado, 18 de outubro de 2025

O Peso de Ser, o Amor de Ser



Nada há a fazer, a não ser te apoiar.
Não, não consigo entender,
Mas sim, eu te apoio,
E não deixo ninguém te ofender.

Vem à mente o preconceito,
O sentido de quem antes, mulher,
Hoje é um lindo rapaz.

Não há como apagar o nascimento,
As lembranças da menina
Que só queria brincar
Com brinquedos de meninos.

Sim, cedo deu seus sinais.

Tentando melhor entender,
Respostas fui buscar:
— Na creche, só tinhas meninos;
— Se parece com a avó,
Que adorava brincar com os meninos da rua,
Que soltava papagaio e com os irmãos brincava.
Mas diziam: “É menina, não pode!”
— Deve ter convivido muito com seus coleguinhas,
Por isso quer ser o Homem-Aranha!

Agora, já rapaz, lindo e inteligente,
Sofre consigo mesmo
Todas as dúvidas da adolescência.
E carrega em seu peito mais uma:
—  Será que irão me aceitar?

Já irá se formar.
E como será?
Na hora das fotos da infância?
Morrerá a menina que um dia existiu?
Assim como as fotos com os pais e avós?
Será como olhar para um espelho quebrado.

Mesmo que doa como espinho na alma,
Nunca vou te criticar.
E, com sangue e força,
Sei que vou para sempre te amar.

Autora: Darlene Maciel

domingo, 12 de outubro de 2025

Dias com as amigas



Não faltam risos, músicas
e muitas lembranças... boas ou tristes.

Assim são os dias de encontro com as amigas:
antigas parceiras da infância,
da época escolar — e também as mais recentes.

Momentos mágicos que surgem:
— Com quem você casou?
— E como está aquele?
— Você lembra do fulano?

E nesse ritmo vamos tecendo
o pano com fios das lembranças,
tal qual uma colcha de retalhos,
onde cada pedaço é uma história contada.

Cada uma narra sua recordação,
cheia de amor, risadas e choros.
Como o fiar forte que nunca para,
tecendo o tecido, fio a fio,
na velocidade da memória.

E se esse fio for de um violão,
a veia artística e espontânea já fia alto,
com voz alegre,
sem receio de desafinar — o que importa é cantar.
Como diz o ditado:
“Quem canta seus males espanta.”

E num dedilhar final, despedem-se,
já marcando um novo encontro,
com promessas de que mais dias virão.

Autora: Darlene Maciel

sábado, 11 de outubro de 2025

Me Sinto Num Barco à Vela



Me sinto num barco à vela,
Levada pelo vento a soprar,
Rosto ao sol, cabelos a voar,
Vendo os raios solares a embelezar
O tempo a passar.

E como barco, navego
Por águas conhecidas,
Para que o leme
Siga seu curso,
Mesmo nas tormentas,
Aguardando a bonança chegar.

Águas tão puras quanto
O meu amor por você!
Que enche meus pulmões
De ar fresco e do perfume do mar,
Como a relva a se
Enraizar em todo o meu ser.

Na bússola do meu coração,
Imagino suas mãos guiando as minhas,
Com leves movimentos, para não
Desviar o caminho.

Sonhando, chego ao porto seguro,
Onde você me espera, dia após dia,
Com seus laços de marinheiro,
Para nunca mais meu barco derivar
E, nos seus braços, sempre ficar.

E te ouvir dizer:
— Vem, meu amor,
Estou com saudades de você!

Autora: Darlene Maciel


Saudades, papai!


Já não te espero chegar.

Aquela menina loira,
de cabelos cacheados,
aguardava ansiosa
a tua presença.

Já não te espero chegar

com seus presentes
tão intrigantes.
Um dia, uma gaiola com passarinho —
“Voa, passarinho!”, e lá se foi o presente.
Ou o bode que não podia me ver,
que dava umas cabeçadas em mim.
E tua presença... sempre ausente!

Já não te espero chegar

com seu carro todo enfeitado:
uma rede pendurada no retrovisor,
um caranguejo na marcha,
um ventilador minúsculo no painel,
uma música engraçada na ré.
E assim, te vi seguir
pelas estradas a viajar...

Já não te espero mais chegar

para pedir um churrasco misto,
para, ao teu lado, varrer o chão,
na ânsia de conseguir tua permissão —
até você perguntar: “Vai fazer um buraco?”

Já não te espero chegar

para perguntar se posso namorar,
e me fazer aquelas perguntas
sobre famílias que eu não sabia responder.

Agora, já sei as respostas,
mas você já não está mais aqui
para ouvir — e rebater.

Ai ,que Saudades senti!

Autora: Darlene Maciel

domingo, 5 de outubro de 2025

A Dançarina


A noite se aconchega no ocaso,
E com ela, todo o esplendor prateado,
Onde mistério e arcano se entrelaçam,
Dão espaço à imaginação.

Quem sabe, uma dançarina
Se embala à sintonia de Beethoven,
Sonhando com seu par,
A com ela bailar.

Nas pontas dos pés, dando pulos,
Saltos num grand jeté,
Igual a uma gazela,
Correndo pela várzea,
Rodopiando que nem pião.

E no palco, quem sabe,
Alguém está a sonhar,
Dançando ao lado da linda bailarina,
E, num suspiro, a carrega em seus braços,
E juntos bailam sem parar.

A noite varre os sonhos,
Embalam as imaginações,
E, de pulo em pulo,
Ao som dos amantes,
Se vai até o raiar da aurora.

A música para,
As sapatilhas são esquecidas,
E os pares se vão
No turbilhão do dia a dia.


Autora: Darlene Maciel

domingo, 14 de setembro de 2025

Até Que o Sol Nos Chame



Como é prazeroso
Ao teu lado estar,
Em cada amanhecer.
Já imagino o Sol imperioso
Se erguendo a nos aquecer.

O dia segue corriqueiro
Num prazer latente do labor.
Muito a fazer com fervor,
Para mais tarde,
A gente se encontrar.

E eu, ao teu lado, a me esticar,
Para mexer todo o corpo,
tal qual um preguiçar.
Um olhando para o outro,
Na busca do último exercício,
Para logo na esteira se jogar.

Tal qual um corredor,
Que tudo alcança
Sem pensar no próximo lugar.

Quando o tempo termina, começa o jantar.
Um do lado do outro, a se contemplar.
Nesses momentos, conversas vêm
Num tom saudoso ou no sabor
Do hoje ao amanhã!

Agora, resta apenas descansar
Nos braços do meu amor,
Que com ternura me abraça,
Me enlaça, no silêncio da noite,
Para só no outro dia me soltar.

Autora: Darlene Maciel  

sábado, 13 de setembro de 2025

Jardim de jarros








Como cuidar de ti

Lindo jardim de jarros?
Não estais em solo fértil,
No chão da natureza.

Dependes de cuidados
Que a mim são negados.
Saberes do nosso Criador: –
Senhor de tudo e de todos.

Tu fizestes tão belos e perfeitos,
Deu a cada ser vegetal
Sua fonte de atributos,
Capazes de curar ou matar,
De embelezar cada
Um com distinta perfeição.

Aqui, no meu cantinho,
Minha terra elevada, infrutífera,
Trago plantas em recipientes de barro
Que sustentam raízes
Para florir minha morada de pedra e cimento.

Mas, por pouco conhecer
Dos botões que se abrem ao Sol,
Busco em livros o que
Minhas mãos não sabem dar.
Crio os componentes nutricionais
Com tudo que venho a saber.

Ah, meu jardim de jarros!
Como estais bonito agora,
Com flores verde e rosa,
De espadas de São Jorge até Dragão.

Vejo agora meu jardim,
Viçoso, a balançar ao vento
Que leva o cheiro das flores
A cada narina que aqui passa.

Autora: Darlene Maciel



domingo, 24 de agosto de 2025

Teu ciúmes


Teus ciúmes me incomodam,

Deixam-me como uma roupa,
Sem moda, apática ao tempo,
Que vai ao relento,
Feita roda.

Teus ciúmes me apavoram.
Não vês que sou tua devota?
É mais uma derrota!

Teus ciúmes me causam dúvidas:
Se hoje ou noutras vidas
Tu foste infiel...
Só os infiéis têm ciúmes
Desmedidos, ilógicos.

Teus ciúmes, às vezes, me envaidecem.
Me tornam desejável, amada.
Mas logo vem a pergunta:

– Será na medida certa?
Se sim, vamos viver o sonho, por certo.
Se não, como reinventar a vida encantada?

Talvez com um amor mais comedido,
Um abraço justo, bem ajustado,
Sem espaço para uma vida
De receios e tantos medos.

E assim o ciúme desaparece,
Quase como uma prece.

Autora: Darlene Maciel




domingo, 17 de agosto de 2025

Me ajude a entender


Me Ajude a Entender

Autora: Darlene Maciel

Me ajude a entender:
Por que desenhar no corpo
riscos que não dizem nada?
Parecem um jardim de tintas,
mas acompanham uma geração.

Sinto algo estranho
ao ver as cicatrizes
que marcam pedaços teus.
Daí, sem me avisar,
se instala no meu pensar:

Que dor doída é essa?
Dor do não entender
esse teu grito silencioso,
que rasga o meu peito
num grito furioso.

Já não se sabe por quê
as lágrimas escorrem
pelo rosto ao chão,
por não crer nessa ponte
quebrada entre gerações...
E o pensamento vai longe,
para onde os olhos não veem.

Dói — as frases ditas sem pensar.
Dói — cada desenho feito na pele tão jovem.
Que necessidade é essa
de chamar tanta atenção?
Assim segue meu coração
em desalinho crescente...

E as lágrimas aumentam,
pois nada se pode fazer.
Crê ser independente,
que desenhos, às vezes belos,
podem má impressão causar.
Nem imagina o quão dependente
se é do outro — e o outro
pode não te aceitar.

Que erros aconteceram?
Onde foi parar o amor?
Só as lágrimas limpam
as dúvidas do coração
de uma mãe que só
pode olhar... e calar.


sábado, 16 de agosto de 2025

Teu amor sereno


Sereno é teu amor
A mostrar a vida
Num ritmo manso,
Lindo, cheio de cores.

Onde o canto do pássaro
Ressoa em todos os caminhos,
Nos ajudando a perceber
Que juntos tudo é bonito,
Tudo faz sentido.

Teu olhar tem linhas
Onde escrevo as aventuras
De estar contigo:
Aventura sem par.

E ouço a música vibrante
A nos acompanhar
Neste caminhar edificante.

Teus braços tecem linhas
Que se enroscam firmes
Em todo o meu corpo,
Para não faltar um fio
Sem a força do teu abraço.

Teus pés, tão firmes no chão,
São raízes a sustentar
Este amor que foi regado
Pelas águas dos nossos corpos
A transpirar de amor.

E neste ritmo lento,
Busca-se viver,
De forma intensa,
Esse amor divino.

Como o rio que navega,
Ora lentamente,
Ora vorazmente,
Até o mar alcançar.
E de lá, se tornar
Uma imensidão sem fim.

Autora: Darlene Maciel



sexta-feira, 15 de agosto de 2025

Meu presente


Um dia pedi a Deus: – O amor conhecer.
E, rápido, em prece contei o que queria
desse amor sem adeus, sem jamais se perder.

Alguém que me amasse sem passados,
capaz de respeitar meu corpo maduro,
curtido pelo tempo e seus cuidados,
com marcas de momentos mais que sagrados.

Alguém que desejasse ser amado e amar,
na mesma intensidade que a luz tem,
cujo clarão ilumina os escuros a gritar,
e que a vida insiste em nos fazer refém.

Alguém tão experiente quanto eu,
com traços lapidados pelas eras,
e cuja história brilhe além da minha,
mais rica que um simples cordel sincero.

Alguém cujo coração não tem amargura,
sem espaço para dor ou fissura,
que ame viver em plena aventura,
e encontre na alegria a ternura.

Alguém, assim, tão certo como você,
que chegou de surpresa em minha vida,
se encaixou no pedido que fiz a Deus,
sem pedir licença, se fez merecer,
e tomou conta de todo o meu ser.

Eu vejo-o como um grato presente
que Deus me concedeu em santa benção,
pois só queria o amor conhecer
e nele me envolver em emoção.

Espero que dure para sempre,
assim como o sol que insiste em nascer,
nossos dias sejam sempre de amor,
como o rio que namora com o mar,
e que mantenha a todos satisfeitos,
pois sem a água não vamos viver.

Autora: Darlene Maciel

terça-feira, 12 de agosto de 2025

Bom dia, meu amor


Bom dia, meu amor

O dia começa com um... — Bom dia, meu amor!
Nada melhor para matar o jejum matutino
que ver o teu sorriso — encantador e divino,
que mata a fome e traça o destino.

Depois, mergulhar em teus olhos sedentos,
querendo, num longo beijo, nos atar,
como laços que nos entrelaçam,
assim queremos ficar.

Entre roçados de pernas,
num deslizar lento, gostoso, da imaginação,
sinto o abraço que acende e faz tremer
todo o meu corpo — como chama em explosão!

A cama, nossa amiga,
não quer nos libertar.
Nos convida a dançar,
a flutuar como o vento a soprar.

Quando todo o corpo transpira,
joga para fora o calor da emoção
que nasce do nosso querer.
Ficamos quietos, quase em oração,
num arfar gostoso de ouvir.
Assim, o dia inicia.

Mas a vida tem seus afazeres,
cada um no seu lugar,
como os ponteiros que correm sem parar,
na ânsia de logo se encontrar,
para, mais uma vez, juntos ficar.

Na noite que se inicia,
queremos na cama deitar,
nossa cúmplice mais fiel,
guardiã dos nossos segredos,
sempre disposta a nos abrigar.

E nosso dia termina com um: — Boa noite, meu amor!

Daí, já não há mais nada a fazer,
a não ser esperar o dia amanhecer...
Para dizer: — Bom dia, meu amor.
E recomeçar o ciclo infinito
do abraço que nos envolve — e nunca termina.

Autora: Darlene Maciel

segunda-feira, 14 de julho de 2025

A partida

Descanse em Paz

Todos ao seu redor,
A lembrar dos bons momentos,
Das benfeitorias,
Até mesmo das traquinagens.

Enquanto você ali, parado,
Inerte num corpo sem vida.
Já não mais risonho,
Já não mais brincalhão.

Do sorriso franco me lembro,
Do jeito leve de mostrar a vida —
Às vezes sarcástico,
Às vezes só pirraça.

Agora, já não conta histórias...
São os outros que vão contar sobre você.
Mas, para quem tem uma família tão linda,
Não há o que se diga de ruim.

Não vou dizer que preferia
Aqui te ter —
Pois seria negar os dizeres de Deus:
"Porque tu és pó, e ao pó tornarás."

Descanse em paz, caro amigo,
Com quem pouco convivi,
Mas de quem aprendi
Que a família é o centro da vida.

Descanse em paz.

Autora: Darlene Maciel