Já não te espero chegar.
Aquela menina loira,
de cabelos cacheados,
aguardava ansiosa
a tua presença.
Já não te espero chegar
com seus presentes
tão intrigantes.
Um dia, uma gaiola com passarinho —
“Voa, passarinho!”, e lá se foi o presente.
Ou o bode que não podia me ver,
que dava umas cabeçadas em mim.
E tua presença... sempre ausente!
Já não te espero chegar
com seu carro todo enfeitado:
uma rede pendurada no retrovisor,
um caranguejo na marcha,
um ventilador minúsculo no painel,
uma música engraçada na ré.
E assim, te vi seguir
pelas estradas a viajar...
Já não te espero mais chegar
para pedir um churrasco misto,
para, ao teu lado, varrer o chão,
na ânsia de conseguir tua permissão —
até você perguntar: “Vai fazer um buraco?”
Já não te espero chegar
para perguntar se posso namorar,
e me fazer aquelas perguntas
sobre famílias que eu não sabia responder.
Agora, já sei as respostas,
mas você já não está mais aqui
para ouvir — e rebater.
Ai ,que Saudades senti!
Autora: Darlene Maciel











