domingo, 7 de junho de 2026

Os minutos com você



Agradeço os minutos com você,
e não vou deixar nada padecer;
o brilho do olhar quando te vejo,
nem o gosto mais doce do café,
a beijar gostoso a nossa boca.

Assim, os dias parecem tão iguais,
mas são únicos que satisfaz;
são números primos que guardo em mim,
de momentos onde descansa a paz,
faz ninho entre os ramos da paixão.

Feito nossos cafés tão matinais,
com riso, música e teus carinhos,
sentados à mesa farta, tão igual,
dá um toque de amor nos desalinhos,
quando a boca beija a tua xícara.

A paz se instala no peito ofegante,
quando um gole de café se saboreia;
sinto as águas quentes, sempre errantes,
borbulham feito vento a soprar no ar.

São cafés regados sempre de amor,
guiando nosso dia cheio de calor,
teus pés a cassar as asas dos meus,
sob a mesa, num carinho encantador,
que só nós dois sabemos bem por quê.

Ah, como é doce cada sentido, 
dos teus pés a mim procurar 
das mãos a me tocar com magia
cada minuto a correr com você estar!

Autora: Darlene Maciel


sábado, 6 de junho de 2026

A Aurora, o Mar e o Quarto





O dia raiou em fios de ouro
a iluminar os olhos da aurora.
A cortina se abriu graciosa
para agradecer a beleza da vida
a cantar lindo como os pássaros
que arrevoam na luz da alvorada
livres, sem nada a reclamar.

Da janela vejo o mar a chamar,
para nele com prazer me banhar.
–Vou já me jogar, belo rapaz do azul!
Para em tuas ondas renascer.
Mergulhar, levantar, sem nada temer.
E não vá sequer da marola me afastar!
Saio da água… e abro os olhos…

O quarto, claro e radiante,
minha alcova toda flamejante.
te sinto qual a roda do arado
que deixa marcas tão marcantes
onde brota o amor encantado.
Da cama vejo o sol ardente,
da cama, o mar, o sol e a paixão.


Autora: Darlene Maciel

quinta-feira, 4 de junho de 2026

O Entardecer da Noite



Um manto negro se vê ao longo, nascendo a grandeza do anoitecer. Árvores em pretume balançam, feito sombras no entardecer.

Coqueiros tão altos — vultos em negrume bonito de se ver. Jogam ao chão os frutos de águas doces feito mel.

Imagens, sombras de pessoas, na negritude que se jogam, para deslizar em ondas de escuras blumas se entregam.

Ao longo, lembranças de kitesurfs e de surfistas, que se lançam com o vento na aventura do momento de brincar na tarde que se vai.

Eu... com minhas lentes, contra o sol, revelo toda a beleza deste fim de tarde. Onde tudo que é colorido, com pureza, ao preto que se rende.

Assim, o dia se foi radiante, perante os passantes, cujas sombras fascinantes com cores vivas e marcantes.

Vai, sol, traz a lua para nós.

Autora: Darlene Maciel





O Encontro que Não Chegou à Piscina



Minhas amigas de infância, com quem nos mantemos em contato e sempre procuramos nos reunir, são: a Ione, Juscileide e Jackline, que vieram para o encontro. Há também a Beta, mas é difícil ela comparecer, o que é uma pena.

A mais engraçada é a Ione, de uma sinceridade sem medidas e que adora bater perna (está sempre em encontros e festas, com uma fartura de amigas). Ela fala de uma forma tão natural que não ofende ninguém. Sempre muito direta.

A Jack é a mais séria, sempre preocupada em não ser mal-educada, e a Ju é puro sorriso; para ela não há tempo ruim. Beta era a dançarina do grupo; lembro como ela dançava bem e sempre muito bem vestida. Até hoje é assim. Adora implicar com a Ione. Eu não sei dizer o que pensam de mim, mas vamos dizer que eu seja mais a observadora.

Não são encontros semanais nem mensais; pode até ser uma vez por ano, não tem problema. O que importa é nos vermos. Sempre marcamos um lugar diferente; às vezes repetimos a casa de alguém. Já fizemos mais de um encontro no apartamento da Ju.

O apartamento dela é pequeno, feito em cima de um prédio onde só mora a família dela, e o melhor dele é a laje, de onde vemos o mar — a vista mais linda.

Marcamos um encontro no meu apartamento, pois tem piscina e a Ione adora nadar, e as meninas também. Lá vêm elas, todas animadas para mais um encontro. Encontros que procuramos fazer para manter o grupo “Eternas Amigas”, do WhatsApp, pois nos conhecemos desde meninas. Época de viver de brincadeiras, época das tertúlias, festas dos jovens.

Já na chegada, o primeiro motivo para rir: foram bater no apartamento errado. E foi aquela confusão — uma dizia que o porteiro falou ser o 501, e as outras que era o 505. Eu, já esperando isso acontecer, corri em socorro.

Fui até o elevador e só ouvi as vozes delas. Me direcionei de onde vinham as vozes e já fui dizendo: “Eu imaginei que isso ia acontecer, já que este andar é em lados na forma de um L, sem mostrar a numeração.”

A ideia inicial era ir para a piscina, almoçar e fazer as brincadeiras que uma delas trouxe. Detalhe: a Ione já veio de biquíni, pronta para ir à piscina. Perguntei se queriam ir logo para a piscina, porém todas disseram: “Vamos primeiro brincar, almoçar e depois ir para a piscina.”

A primeira brincadeira, o “Leilão”, funcionava assim: sem saber o que tinha dentro das caixas, íamos dando os lances. Em cada arrematação, uma surpresa. Quem foi o leiloeiro foi o Wilmar; ele era muito engraçado no papel, o que tornava a brincadeira ainda mais divertida.

Depois, havia duas tábuas com números desenhados em baixo-relevo de madeira. Assim, de dois em dois, ia-se encaixando os números escolhidos, sem ver. Quem terminasse primeiro competia com o outro, até somente um ganhar e receber a prenda.

Mais uma rodada de brincadeiras… e nada de piscina.

Veio a última brincadeira, de contar os palitos, onde um tentava adivinhar quantos palitos havia na mão de cada um. Quem errava saía do jogo, e assim por diante, até ter um ganhador, que levava outra prenda.

E a piscina?

Fomos almoçar. O Wilmar fez a macarronada com asinhas de frango, a especialidade dele. Eu, que adoro verdura, fiz a salada de folhas de alface, manjericão, picles, ovos cozidos, tomates e o toque final com uvas-passas. Enquanto se esperava o almoço, tomamos um vinho do Porto. A Ione não bebe, mas quis provar, já que era apenas uma taça.

Entretanto, havia apenas quatro lugares à mesa... e agora?

Bom, o Wilmar, como bom anfitrião que é, disse que ia comer no sofá. Tadinho. Eu peguei a cadeira do computador para ficarmos cinco à mesa, e tudo bem. Todos gostaram do almoço.

Aí chegou a hora de lavar a louça; a Jack se ofereceu. Adorei. Cada uma foi ajudando. Cozinha bem limpinha. 

E a piscina?

Ficamos na sala conversando, mas a Ione tomou só um copo de vinho e já ficou tonta e dorminhoca. Então, finalmente, a pergunta: “Vamos para a piscina?”

Veio aquele silêncio...

Ah! A piscina? Ficou para o próximo encontro. 


Autora: Darlene Maciel