Quando o choro vem como a maré alta, levando tudo que vem pela frente, é como se fosse um movimento de vai e volta. Lembranças fluem como filmes, semelhantes a um trem em constante movimento, sem horários definidos, deixando quem o espera em um limbo total.
As lágrimas escorrem pelo rosto como a chuva que lava as ruas ladeira abaixo. O nariz vermelho, como uma maçã madura, não esconde o amargor das lembranças. Das narinas escorre tudo que já não faz bem, lavando — em gotas grossas de chuva — a janela da alma, revelando tudo o que há por trás da fachada.
As expressões faciais revelam extrema dor, assim como a alegria, que também expressa um retrato — mas com um sorriso no final. Não adianta pensar que o choro é apenas infelicidade, dor ou raiva. Ele limpa a casa com água salgada, deixa tudo pronto para o viver. Assim como o Sol e a Lua juntos formam o dia, as emoções se complementam. Essa é a herança!
Meu choro tem um nome: esquecimento! Como um nevoeiro que encobriu o caminho de volta para mim. E, apesar de não ter esquecido os outros, padeci de mim mesma. Morri para o meu eu — aquele que mais precisava de acalento.
Choro hoje para, amanhã, correr atrás do que esqueci. Sei que não tem volta, então recuperarei o que for possível — todas as glórias que a mim pertencem — sem desperdício.
Choro para deixar para trás tudo o que não quero mais carregar. Jogo para longe as pedras que carreguei na mochila do esquecimento. O fardo foi pesado demais; vou descartar o que posso.
Do futuro, só desejo lágrimas de felicidade, gratidão e amor — amor este livre de qualquer pudor. Vou amar cada pedaço do outro, cuidando como se fosse um lindo jardim que, por ora, só carece de adubo. Vou moldar o amor — o meu e o do outro — como quem cuida do barro: com paciência, cuidado e atenção.
Meu choro agora será apenas de alegria, como o farol é para o navegante perdido em um nevoeiro. Nada mais.
Autora: Darlene Maciel
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